O prefeito Gustavo Fruet recebeu ontem representantes de grupos que participam dos protestos pela redução da tarifa de ônibus em Curitiba e avisou: a queda no preço da passagem, neste momento, só será possível com novos subsídios e desonerações, ou tirando recursos de outros serviços públicos, como saúde e educação. Fruet prometeu avaliar as reivindicações com os órgãos responsáveis pelo transporte coletivo e dar resposta antes do ato marcado para a noite de hoje.

Os ativistas integrantes da Frente de Luta pelo Transporte Público de Curitiba cobraram de Fruet a redução do valor pago às empresas que operam na Rede Integrada de Transporte (RIT) e revisão dos contratos. Mas o prefeito disse que só será possível recalcular os valores da tarifa técnica após a conclusão da auditoria que está em andamento, sem data prevista para conclusão.

“Qualquer redução neste momento, em nada altera para os empresários. O preço pago às empresas por passageiro não vai sofrer alteração. A sociedade vai ter que definir de onde vai tirar o dinheiro. Não vamos alterar nada enquanto não for concluída a auditoria. Qualquer alteração não representa nada para as empresas. Representa gasto público”, ressaltou Fruet.

Redução

A tarifa paga pelo usuário é de R$ 2,85. Mas a Urbs (empresa que gerencia o sistema) paga às empresas R$ 2,99 por passageiro, valor apontado como custo real do transporte. A diferença gera rombo de R$ 64 milhões por ano, que é coberto com subsídios do Estado e da prefeitura. Os manifestantes exigem redução da passagem para R$ 2,60, o mesmo valor praticado até o início deste ano.

Segundo o governo estadual, oito cidades já anunciaram reduções da tarifa do transporte coletivo: Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Guarapuava, Cascavel, Foz do Iguaçu, Paranaguá e São José dos Pinhais – a única na Região Metropolitana de Curitiba. Além disso, o governador Beto Richa determinou baixa de R$ 0,10 na passagem das 85 linhas não integradas da região metropolitana, que atendem 18 municípios.

Protestos são mantidos

Gustavo Fruet disse aos manifestantes que a redução agora só será possível se for bancada pelos governos federal e estadual. “Se houver aumento do subsídio, se o governo estadual assumir o transporte metropolitano ou o aumento em relação às desonerações do governo federal, há margem para redução. Se não, temos que definir de onde vão sair os recursos. Hoje, só temos os usados para a ampliação das unidades de saúde e para as escolas”, afirmou.

Os manifestantes cobraram do prefeito posição mais dura em relação às empresas de ônibus. “Achamos que esse é o melhor momento para enfrentar os empresários. Se não for na hora que tem 30 mil pessoas nas ruas, quando será?”, questionou Bernardo Pilotto, do sindicato que representa os técnicos universitários (Sinditest).

Dois novos atos pela redução da tarifa estão confirmados. Hoje, os manifestantes se reúnem a partir das 18h, na Boca Maldita. Amanhã, a concentração acontece no mesmo horário, na Praça Rui Barbosa.

Felipe Rosa
Pilotto diz que é a melhor hora pra enfrentar empresários.

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