Em entrevista ao Paraná TV 1ª edição desta quarta-feira (26), na RPCTV, o prefeito Gustavo Fruet disse que se a greve dos motoristas e cobradores de Curitiba for “combinada” entre patrões e empregados, pode pedir a prisão dos presidentes do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Curitiba (Setransp) e do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc).

“Caso não seja respeitada a decisão judicial de manter a frota mínima de 70% dos ônibus em horários de pico e 40% nos demais períodos, de forma muito objetiva e sempre mantendo a responsabilidade do meu cargo e a serenidade eu vou pedir a prisão dos presidentes dos sindicatos das empresas e dos trabalhadores e espero que esta greve não seja orquestrada”.

O prefeito reclamou da multa diária de R$ 10 mil estipulada pela Justiça em caso de descumprimento de determinação da frota mínima. “Há uma multa de R$ 10 mil que é pífia ou inócua e já pedi R$ 1 milhão de multa por dia se for descumprida a determinação da Justiça de operar com 70% da frota em horários de pico”.

No início da tarde de desta quarta-feira, a desembargadora Ana Carolina Zaina aceitou o pedido da Urbs e do Setransp e ampliou de R$ 10 mil para R$ 100 mil a multa diária a ser aplicada ao Sindimoc por descumprimento de determinação judicial. A desembargadora fixou em 40% no horário de pico e 30% nos demais horários o porcentual mínimo da frota em operação durante a greve.

Fruet afirmou também que é preciso repactuar a relação com o governo do Estado no que diz respeito ao subsídio da tarifa. “Eu fui surpreendido ontem e hoje com propagandas no rádio e com uma chamada em meu telefone dizendo que o governo do Estado assegurou o subsídio e garantia do transporte na região metropolitana. Eu vou ser educado pra não responder nesse momento o que eu achei dessa ligação. A Urbs recebeu ontem um ofício da Comec, que é ligado ao governo do Estado, para prorrogar em caráter emergencial, por mais 30 dias, o convênio que termina nessa semana, sem garantia de pagamento e sem garantia de aumento da tarifa técnica. Eu estou respondendo hoje dizendo que a prefeitura tem o maior interesse em manter a integração, mas o governo do Estado, que é responsável pelo transporte na Região Metropolitana de Curitiba que assegure esse pagamento”.

Fruet disse que se a Prefeitura de Curitiba não precisar cuidar do transporte fora da capital, tem condições de manter a tarifa em R$ 2,70. “Desde o início da minha gestão eu tenho afirmado que o Estado precisa assumir a licitação metropolitana porque tem uma outra questão que não é justa com Curitiba: mesmo definindo os valores, por menor que seja, sistematicamente há um atraso e toda vez que há um atraso a prefeitura tem que pôr o recurso. Só ano passado foram mais de R$ 14 milhões e este recurso poderia ser utilizado em outras áreas da cidade”.

O prefeito afirmou também que a tarifa não subirá para R$ 3,40 “como querem as empresas, que se houver um aumento será somente depois do carnaval e citou que a preocupação imediata é minimizar o efeito dessa greve. “Eu pedi para o presidente do Tribunal de Contas e do Tribunal de Justiça que, por favor, julguem o mérito o quanto antes com relação a esse tema”.

Governador questiona subsídio

Em entrevista coletiva concedida na manhã desta quarta-feira (26), o governador Beto Richa disse que a questão do subsídio para o transporte público é um problema da prefeitura de Curitiba.

“Vários prefeitos de Curitiba nunca receberam um subsídio como esse. São R$ 80 milhões só nesse ano. Eu posso dizer porque fui prefeito de Curitiba e baixei a passagem e criei a tarifa de R$ 1,00 aos domingos, a domingueira, sem ajuda de ninguém”.

Richa também afirmou que, isentou o ICMS sobre o óleo diesel e efetua o repasse do subsídio em dinheiro para custear a passagem de ônibus em Curitiba e região metropolitana.

“A prefeitura não pode vir com a desculpa de que o subsídio é insuficiente, e eu que nem subsídio recebi e consegui sustentar a passagem com um preço mais justo e mais acessível, investindo na qualidade do sistema”.

Governo questiona caráter emergencial de convênio

A assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu rebateu a afirmação do prefeito Gustavo Fruet a respeito da prorrogação do convênio de integração do transporte público por mais 30 dias, em caráter emergencial.

De acordo com a assessoria, o que o governo do Estado anunciou é a manutenção do convênio até o final do ano, pois o convênio atual vence no dia 28 de fevereiro.

Este acordo seria renovado com base nos valores do ano passado, mas o governo estadual não descarta que possa existir uma renovação de valores no futuro e admitiu que ocorreram atrasos no repasse de algumas parcelas do subsídio à prefeitura de Curitiba, no final do ano passado, mas que os valores foram quitados.

Contudo, a assessoria disse que o governo do Estado está aguardando uma sinalização da prefeitura a respeito do valor da passagem e questionou o poder municipal a respeito do subsídio, já que o sistema está integrado há 20 anos e somente de alguns anos para cá a prefeitura precisa do subsídio do governo.

Sindicatos

Sobre a declaração de Fruet de que pode pedir a prisão dos presidentes dos sindicatos patronal e dos trabalhadores caso a greve tenha sido combinada, os advogados do Setransp e do Sindimoc a refutaram durante a audiência no TRT-PR. Nenhum dos sindicatos se pronunciou oficialmente sobre o assunto.