No meio fio, as marcas da fumaça preta
expelida pelos ônibus da capital.

Quem se exercita diariamente pela pista de caminhada da Rua Wenceslau Brás, no bairro Portão, em Curitiba, busca oxigenar os pulmões e ter uma vida mais saudável. Porém, a poluição gerada por ônibus biarticulados da linha Circular Sul, que passam pelo local, impede que o passeio seja completamente benéfico para a saúde. Em vez de oxigênio, quem faz caminhada acaba respirando uma grande quantidade de dióxido de carbono.

Isso acontece principalmente quando os veículos param, arrancam ou percorrem trechos de subida. “Próximo às estações-tubo, os meios-fios ficam pretos de poluição. Às vezes, eles são lavados, passam-se alguns dias e estão escuros novamente”, se queixa o jornalista Eugênio Torres, que mora perto da Wenceslau Brás.

A vendedora autônoma Elizabeth Prisse costuma fazer caminhadas diárias pela pista. Ela conta que chega a voltar para casa com as roupas e os cabelos cheirando a poluição. “Desde que as canaletas foram implantadas na rua, a gente respira um ar preto, totalmente poluído. Quando os ônibus passam, dá para sentir o calor da fumaça que eles soltam e um cheiro bastante forte”, diz.

A cabeleireira Sirley Lemes também reclama. Ela diz que a linha Circular Sul traz muitos benefícios aos moradores do Portão, mas que o nível de poluição emitido pelos ônibus deveria ser melhor regulado. “Deveria haver um controle mais efetivo da frota. Pagamos uma passagem cara e merecíamos que os ônibus fossem menos poluentes. A poluição vai contra a imagem de Curitiba como sendo uma capital ecológica”.

Urbs

Diante das denúncias, o gerente de vistoria e cadastro do transporte coletivo da Urbs, Élcio Luiz Karas, diz que vai ser realizada uma blitz na Wenceslau Brás para verificar visualmente o nível de fumaça emitida pelos ônibus. Depois, será realizada uma medição eletrônica na garagem. Caso os índices de poluição estejam acima do normal, os veículos irão passar por regulagem.