Funcionários do Centro de Esterilização de Materiais do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba começaram ontem uma operação tartaruga, com 15 minutos de intervalo para cada 45 minutos trabalhados na sala de esterilização, no arsenal e na sala de preparo.

Eles reivindicam a instalação de um sistema de climatização em função das altas temperaturas a que estão submetidos, no que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral do Paraná (Sinditest-PR) chamou de “sauna úmida”, já que a temperatura média na sala não é inferior a 30ºC.

A exposição dos materiais esterilizados às altas temperaturas, segundo o Sinditest-PR, diminui a validade da esterilização de 90 dias para um mês, o que gera mais despesa ao hospital. Para contornar o calor, a central funciona com as janelas abertas, em descumprimento às leis de controle de infecção hospitalar.

Nos 15 minutos de intervalo, os funcionários saem daquele espaço, reduzindo a capacidade de esterilização pela metade, uma vez que das duas autoclaves (máquinas de esterilização), apenas uma é automática e continua funcionando.

“Isso compromete todos os procedimentos do hospital, desde cirurgias de emergência ou agendadas até curativo no pronto-atendimento”, exemplifica uma das diretoras do Sinditest-PR, Carla Cobalchini.

Segundo Cobalchini, a reivindicação vem desde 2002 e, se o sistema de climatização não for instalado em 10 dias, a central vai paralisar integralmente as atividades.

“A promessa de melhoras já foi feita outras vezes, mas só houve reforma aparente. Não há condições de trabalho nas seis horas submetidas àquele calor intenso”, afirma.

Em nota, a diretoria do HC disse que um relatório técnico de segurança no trabalho recomendou a instalação de um sistema de exaustão e ventilação forçada para renovação do ar.

“O equipamento está sendo fabricado e deve estar em funcionamento no próximo sábado. Essa situação não comprometerá as cirurgias programadas do Centro Cirúrgico, havendo somente alguns atrasos em algumas cirurgias, ficando também garantidas as cirurgias emergenciais”, diz a nota.