Integrantes da Associação do Museu do Expedicionário, criada em agosto de 2001, temem pelo futuro do museu, que se encontra desde 1952 na Praça do Expedicionário, em Curitiba. Segundo a presidente da entidade, Carmem Lúcia Rigoni, o medo é de que, depois que os pracinhas não puderem mais administrar o museu, ele venha a ser fechado ou transferido para outro local.

De acordo com Carmem, a lei determina que, quando os pracinhas não puderem mais trabalhar, o museu deve passar a ser de responsabilidade do Estado. “Estamos lutando e tentando traçar metas para que o museu não passe para o Estado, mas seja administrado pela associação, que é formada por pesquisadores e parentes de pracinhas já falecidos. Porém, estamos encontrando muitas dificuldades para trabalhar”, queixa-se.

Os principais problemas da entidade são a falta de uma sede própria e a escassez de recursos financeiros para cuidar da manutenção do acervo. Carmem diz que o museu possui 1,5 mil fotos originais dos tempos da 2.ª Guerra Mundial que, se não forem bem conservadas, logo estarão deterioradas. “O certo seria contratar um técnico especializado para cuidar da conservação do material, mas infelizmente não temos dinheiro para isso”, lamenta.

O mesmo acontece com as indumentárias das roupas expostas, documentos antigos, medalhas, equipamentos e armas utilizadas na guerra. “Tudo precisa ser conservado”, defende a presidente. “Hoje, no Brasil, noto que se dá muito valor aos museus de arte, mas pouca aos históricos. Se não conservarmos o que temos, logo seremos uma nação sem história e memória.”

Na tarde de ontem, integrantes da associação se reuniram para definir os próximos passos da entidade e estudar formas de melhor trabalhar junto aos pracinhas e ao Estado, que através da Secretaria da Cultura fornece verba para pagamento de funcionários e seguranças do museu. A idéia principal é, no futuro, conseguir recursos para a preservação do acervo da Força Expedicionária Brasileira (FEB) junto a doadores voluntários, empresas e governo federal.