Fraudes em licitações do transporte público de Guarapuava, na região central do Estado, foram alvos de uma operação desencadeada pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na manhã desta quarta-feira (29). Seis mandados de prisão, 29 de conduções coercitivas (quando a pessoa é conduzida para ser ouvida na mesma data) e 53 ordens de busca e apreensão em empresas e residências, foram cumpridos inclusive em Curitiba.

A investigação também apura a existência de organização criminosa no segmento de concessão de transporte coletivo urbano. A operação, feita em parceria com o Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria) de Guarapuava, investiga ainda a possibilidade de corrupção ativa e crimes contra a ordem econômica.

Um dos alvos da ação é uma das empresas da família Gulin. A família controla quase 70% das ações das empresas que compõem os três consórcios que operam o transporte público em Curitiba, mas essas concessões não estão entre os alvos da operação.

Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Guarapuava. Além de Curitiba, o cumprimento das medidas foi feito em Guarapuava, Foz do Iguaçu, Maringá e Ponta Grossa e Curitiba, no Paraná. Cidades de Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal, com apoio do Gaeco desses locais, também foram alvos da operação.

Atuação antiga

As investigações começaram em 2013, mas de acordo com o Gaeco, indícios apontam que o grupo agia desde 2009. O MP descobriu que empresas representadas por um advogado específico eram habilitadas e venciam licitações onde a empresa Logitrans e o escritório do advogado atuavam na elaboração dos editais.

De acordo com as investigações, os problemas começaram no DF, quando deputados distritais questionaram o consórcio de uma empresa curitibana que venceu a licitação da capital federal e as dúvidas foram levantadas. As investigações descobriram que integrantes de empresa de engenharia especializada em transporte coletivo, advogados e representantes de empresas de ônibus formavam o grupo criminoso, que usava “laranjas” e sociedades complexas para ocultar a existência do grupo econômico.

Conforme noticiou a rádio Band News FM Curitiba, no ano passado, ministérios públicos do Distrito Federal e das cidades de Guarapuava e Apucarana confirmaram a investigação de um suposto esquema de favorecimento em licitações a empresas de transporte público gerenciadas pela família Gulin no Paraná, e Constantino, que controla a companhia aérea Gol.

Mais crimes

Os investigados são suspeitos ainda de aliciar agentes públicos para a prática dos crimes. Com a participação dessas pessoas, o grupo obtém meios de remunerar ilicitamente, com dinheiro público, a organização das fraudes concorrenciais, contratando componentes do grupo criminoso para prestar assessorias simuladas ou substituir comissões de licitação.