Representantes de gays, lésbicas e travestis de todo o Brasil estão reunidos em Curitiba para discutir políticas e ações dos homossexuais no País. Entre os temas estão direitos humanos, saúde, discriminação e cidadania. Durante o evento ? que prossegue até quinta-feira ? foi promovida a assembléia da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), que aprovou a edição de uma carta que será enviada ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima semana.

A Carta de Curitiba ? Por Políticas Públicas, Democráticas e Inclusivas da Diversidade Sexual foi aprovada por unanimidade pelos participantes, e pede a adoção de políticas públicas voltadas para os homossexuais no País. “Nossa expectativa é grande com o novo governo, pois o PT sempre defendeu causas específicas sobre os direitos humanos”, disse o presidente de estruturação do Grupo de Homossexuais de Brasília, Welton Trindade.

Segundo ele, nos últimos anos a categoria teve pequenos avanços, mais ainda é preciso fazer mais. “Não existe no orçamento federal nenhuma ação para a inclusão de homossexuais, a não ser em programas de saúde, mas só isso não basta”, disse Welton.

Segundo o presidente da ABGLT, Marcelo Nascimento 15% da população brasileira é homossexual, e ainda falta muito a se avançar em várias questões, mas principalmente, em diretos humanos. “Sabemos que diariamente são assassinados dois ou três homossexuais, mas esses casos não são notificados”, comentou. A categoria defende que seja criada uma fundação ou departamento no próximo governo para garantir a continuidade de programas.

Pesquisa

A violência foi apontada como um dos principais problemas dos homossexuais no Brasil, em uma pesquisa feita pelo Ibope, em julho deste ano, em dez capitais. O trabalho também abordou o comportamento dos homossexuais em relação às doenças sexualmente transmissíveis e aids.

A pesquisa identificou que os principais problemas enfrentados pelos gays no Brasil são o preconceito e a violência, sendo que 22% afirmaram que sofreram agressão por causa da orientação sexual. Entre os principais agressores aparecem a polícia (20%), a família (17%), amigos (12%) e vizinhos (11%).