O governo do Estado vai investir R$ 124 milhões para criar uma nova estrutura viária, com a pavimentação de 75 km de vias e a construção de dezoito terminais de transporte que vão beneficiar os 26 municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O anúncio foi feito pelo secretário especial para Assuntos da Região Metropolitana de Curitiba, Edson Strapasson, na reunião da equipe de governo ontem, no auditório do Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico, em Curitiba.

O Programa Integrado de Transporte (PIT) é uma das ações que a Secretaria Especial vai empreender para estabelecer um novo vetor de crescimento e desenvolvimento para a região. Os recursos são do BNDES e do tesouro estadual. A idéia é reestruturar os corredores viários de transporte coletivo, com novos terminais, trincheiras de passagem e abrigos de passageiros, ampliando em mais setenta ônibus circulando entre os municípios. O objetivo é reduzir a atual dependência de Curitiba na interligação com os municípios.

O secretário também anunciou a construção de um novo corredor de transporte entre Fazenda Rio Grande e Curitiba, passando pelo bairro do Umbará, zona sul da capital. Trata-se de um novo eixo de penetração urbana que exige investimentos conjuntos entre Prefeitura e governo do Estado, especialmente na produção de lotes urbanizados, e que evitariam a ocupação desordenada em áreas de mananciais.

Segundo Strapasson, é preciso realizar um grande mutirão, com ações articuladas, para construir uma região metropolitana mais equilibrada. “A região não pára de crescer e deve receber, nos próximos 17 anos, mais 1,4 milhão de novos habitantes”, afirmou.

Diagnóstico

Strapasson abriu a reunião com os secretários estaduais e demais integrantes da equipe do governo apresentando um diagnóstico da Região Metropolitana de Curitiba e os grandes desafios para o seu desenvolvimento, entre os quais a questão de crescimento demográfico, as desigualdades, os mananciais e o espaço para crescimento e o desemprego e as áreas deprimidas.

O secretário lembrou que mais de 300 mil pessoas na região vivem abaixo da linha da pobreza, com menos de meio salário mínimo. Também ressaltou que pelo menos metade desse novo contingente de habitantes previsto vai se instalar na bacia do Alto Iguaçu, que hoje abastece em 75% da água consumida na RMC.

A questão da habitação é um dos grandes desafios a serem enfrentados, disse Strapasson, já que a produção da Cohab se restringe a 2 mil moradias por ano, enquanto 75 mil famílias estão na fila de espera e a cada ano 8,5 mil famílias demandam por unidades habitacionais.

Comec

A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) está propondo uma alteração nas ações de desenvolvimento para a região. De acordo com o diretor-presidente da Comec, Alcidino Bittencourt Pereira, devem ser construídas vias alternativas de desenvolvimento junto com as Prefeituras e organizações não governamentais (ONGs) para evitar o agravamento da degradação da Região Metropolitana de Curitiba, que hoje abriga 29% da população do Estado.

De acordo com Pereira, o enfrentamento do problema é a única forma para reduzir as desigualdades da RMC. Nessas ações, o governo estadual deve agir como uma espécie de câmara de compensação para apoiar as prefeituras mais carentes. Pereira chamou a atenção da prefeitura de Curitiba, que tem receita maior e por isso deve ajudar a pensar e a construir as vias alternativas.

A ocupação da mão-de-obra local e a necessidade de elevação da renda percapita estão entre as maiores preocupações do governo já que as previsões indicam que em 10 anos, a população do Núcleo Urbano Central (Nuc), na Região Metropolitana de Curitiba vai superar a população da capital. Nessa região concentra-se 93% da população da RMC, estimada em 2,72 milhões de habitantes, dos quais 1,58 milhões de pessoas estão na cidade de Curitiba. E a renda per capta varia de 0,8 a 1,1 salário mínimo por chefe de família. Nas regiões mais distantes de Curitiba, a renda cai mais ainda, ao nível de 0,5 salário mínimo por família.

O governo estadual está elaborando um programa para estimular os investimentos da iniciativa privada que privilegiam toda a cadeia produtiva e não setores isolado. Segundo Pereira, são várias as vocações da RMC que podem ser estimuladas em toda a cadeia produtiva para criar novos postos de trabalho e reverter a situação de degradação em que se encontra. Citou como exemplo os arranjos produtivos que podem se desenvolver na área de metalmecânica, siderurgia, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, laminados e chapas de madeira, indústria química e agricultura orgânica.

São setores que podem se desenvolver com tecnologia, modernidade e eficiência, cujas indústrias têm condições de se transformar em grandes fornecedores mundiais. Para isso, Pereira chamou a atenção de prefeituras e ONGs, para que ajudem a investir em programas de formação e qualificação da mão-de-obra local.