Márcio Machado / Secs
Márcio Machado / Secs

Policiais interditaram trecho de
130 quilômetros da rodovia.

Cerca de 130 quilômetros na BR-476, entre o município da Lapa e o trevo da PR-160, em Paulo Frontin, foram interditados ontem, pelo governo do Estado, por meio do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv). A rodovia está em estado precário. É nela que se encontra a ponte que dá acesso ao município de São Mateus do Sul, interditada desde o dia 8. Correndo o risco de desabar, não há previsão para obras de reparo na ponte.

De acordo com o secretário dos Transportes do Paraná, Waldyr Pugliesi, a interdição é uma ação enérgica para evitar que mais acidentes ocorram na BR-476. ?O excesso de buracos e o péssimo estado do pavimento criam péssimas situações para os usuários. Não poderíamos nos omitir frente ao descaso do governo federal?, acusa o secretário.

Estado e União estão num impasse sobre a responsabilidade dos 945 quilômetros de rodovia federal transferidos ao Paraná através da Medida Provisória 82, de 2002, juntamente com R$ 122 milhões para manutenção das mesmas. Como a MP foi vetada pelo presidente Lula, o governo do Estado não reconhece a transferência. A União diz que os termos da MP foram cumpridos, por isso a responsabilidade seria do Paraná.

No último dia 11, representantes do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) no Paraná e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e prefeitos da região participaram de uma reunião com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, sobre o impasse. O ministério havia prometido uma resposta para o dia 14, mas até agora não se manifestou. Lideranças de municípios da região fecharão hoje, como forma de protesto, outro trecho da BR-476 no quilômetro 225 (trevo do município de Mallon, entroncamento com a BR-153) a partir das 8h.

Segundo o secretário de Transportes, a intervenção estadual é por tempo indeterminado ou até a União iniciar obras de recuperação e conservação da rodovia. A rodovia ficará aberta para tráfego leve local, ou seja, veículos de moradores dos municípios e distritos ao longo da rodovia.

A assessoria de imprensa do DNIT informou que o órgão continua impedido, por ordem de Brasília, de fazer qualquer investimento nesses trechos.

Sem acordo entre os órgãos, cerca de 6 mil motoristas que trafegam diariamente pela BR-476 – 70% são caminhoneiros – ficam prejudicados. Com o fechamento, motoristas que se dirigem até União da Vitória têm que utilizar o caminho por Irati, Rio Azul e Paulo Frontin pela BR-277 ou ainda saindo de Curitiba pela BR-116 em direção a Rio Negro e Mafra e trafegar pela BR-280 em Santa Catarina até Porto União.

Interdição aprovada

Moradores, usuários e lideranças políticas aprovaram a interdição da BR-476. ?É uma medida dura, porém mais do que necessária. Os acidentes constantes e a falta de investimentos no trecho pediam uma atitude drástica?, afirmou o vereador e presidente da Câmara de São Mateus do Sul, Jorge Roiko.

O trânsito nos 130 km da rodovia federal, sob responsabilidade do DNIT, foi interrompido pela Polícia Rodoviária Estadual ao meio-dia de ontem, como forma de evitar a ocorrência de mais acidentes no trecho. O morador da Lapa Marcio José Silva conta que devido ao péssimo estado da rodovia evita utilizar a BR-476. ?Só passo pelo trecho porque tenho que trabalhar levando material, mas evito seguir adiante com medo de danificar o carro ou ainda sofrer um acidente mais sério.?

O prefeito de Paula Freitas, Paulo Henrique de Matos de Almeida, afirma que já havia determinado que todos os carros oficiais, inclusive as ambulâncias do município fossem a Curitiba dando a volta por Paulo Frotin, Rio Azul e Irati. ?Aumenta bastante a viagem mas evita os riscos de acidente?, afirma.

Para ele, a situação de Paula Freitas fica ainda mais difícil pela falta de hospitais no município. ?Em uma situação de emergência, a viagem mais longa pode ser a diferença entre a sobrevivência ou não de um paciente?, alerta.

Já o caminhoneiro Amarildo Kucoloco diz que perdeu as contas de quanto gastou com reparos e manutenção de molas, pneus e das suspensões que se danificaram ao trafegar pela BR-476. ?Eu passava pela BR-476 mais de 4 vezes na semana e posso afirmar que a situação está caótica?, salienta.

Obras iniciadas na BR-272

Gisele Rech

O canteiro de obras na ponte sobre o rio Piquiri, na BR-272, que fica entre os municípios de Francisco Alves e Terra Roxa, nas proximidades de Guaíra, no Noroeste do Estado, começou a ser instalado ontem, pela Arteleste.

A empresa, com sede em Curitiba, será responsável pela execução da obra emergencial, determinada pelo juiz Luiz Carlos Canalli, da 1.ª Vara Federal de Umuarama. O projeto, que deve ficar pronto até o final da semana, está sendo feito pela Engemin. As duas empresas não foram selecionadas por licitação, já que, como a obra é emergencial, não haveria tempo hábil para o início das obras.

?Temos 180 dias para que a obra fique pronta e apelamos para empresas já credenciadas pelo Dnit, já que a lei nos isentou de licitação?, diz Vicente Veríssimo Júnior, que será o engenheiro responsável pela coordenação da obra na ponte.

Situada no quilômetro 541 da BR-272, a ponte está em situação crítica, o que vinha provocando manifestações constantes de políticos, técnicos e autoridades regionais.

?A situação é mesmo de risco, daí a situação de emergência. Por isso, os canteiros já estão sendo instalados para o início o mais breve possível. A reivindicação vinha sendo feita há bastante tempo?, disse Veríssimo. As equipes de trabalho já estão se deslocando para o local.