Auditoria realizada pela Corregedoria e Ouvidoria-Geral do Estado revela que o Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) deixou de economizar mais de R$ 300 mil na compra de remédios em quatro meses de 2001. Foram analisados os preços de 31 medicamentos de uso contínuo e foi constatado que 52% deles foram adquiridos a preços compatíveis com o mercado, através de processo legal, entretanto acima da melhor oferta.

Segundo o secretário especial da Corregedoria, Luiz Carlos Delazari, uma mudança no procedimento de compra poderia evitar a apresentação de preços com lucro embutido. “Se o comprador não apresentar preço limite antes, incentiva a apresentação de propostas melhores”, afirma. O secretário destaca concorrência em que o preço máximo estabelecido a partir de pesquisa de mercado ? foi de R$ 0,70 por comprimido, a maioria das propostas foi de R$ 0,698, entretanto, a compra pôde ser realizada pagando R$ 0,25 a unidade.

Auditoria

O levantamento ressalta ainda que os distribuidores obtêm descontos de até 40% sobre os preços de fábrica. “Sem considerar o lucro do laboratório, esses medicamentos podem estar já com acréscimo de até 50% sobre o preço de fábrica original”, considera Delazari.

O relatório sugere evitar as chamadas “compras de emergências”. O motivo do pedido está relacionado à dispensa para o processo de licitação, que também proporciona gastos maiores com remédios fabricados pelos laboratórios oficiais. A auditoria afirma que o preços praticados por esses laboratórios são mais altos porque acompanham os custos de produção, também elevados.

De acordo com o secretário, a compra de 3 milhões de comprimidos de um laboratório oficial de São Paulo ? por R$ 259 mil, poderia ser realizada por R$ 154 mil se fossem adotados como parâmetros os preços médios apresentados pelos outros concorrentes, ao invés do valor máximo estabelecido previamente pelo comprador.