O motorista Edivaldo Francisco da Silva enfrenta um caminho difícil para tratar uma doença diagnosticada em dezembro do ano passado. Depois de sentir muitas dores, ele fez uma consulta e descobriu que tem cálculo renal, um dos problemas urológicos mais doloridos. Silva teve que deixar o emprego, sente dores constantes e mal consegue andar.

Após várias consultas no Hospital de Clínicas (HC), ele foi informado que, devido à gravidade da doença, teria que fazer cirurgia. Um procedimento que normalmente já demora se agravou com a greve dos servidores técnico-administrativos da UFPR, que dura pouco mais de dois meses. Esta situação difícil é compartilhada por muitos pacientes que estão com o nome na fila de espera de cirurgias.

Silva ainda não sabe quando poderá fazer o procedimento e está desesperado com a previsão de quantos dias ainda terá que conviver com a dor. “Tomo remédios que não estão mais fazendo efeito. O organismo já está saturado e sinto dores 24 horas”, conta.

Mesmo com a paralisação, as cirurgias para cálculo renal foram mantidas devido à gravidade e ao sofrimento que causa ao paciente. Ainda assim, na fila de espera, cerca de 300 pessoas esperam pelo procedimento.

A diretora de assistência do HC, Mariângela Honório Pedrozo, diz que a grande procura acontece porque o HC é o único hospital em Curitiba que faz essa cirurgia pelo SUS.

Mariângela, entretanto, diz que está planejada a compra de novos aparelhos até o final do ano, o que deve dobrar o número de procedimentos realizados atualmente – passando de uma para duas cirurgias por semana.

“Mas ainda temos defasagem de pessoal”, ressalta. “Temos consciência do sofrimento desses pacientes, mas é difícil resolver essa situação em curto prazo”, afirma.

Durante a paralisação, que talvez termine na próxima segunda-feira (26), alguns pacientes, que estavam na fila, foram chamados por necessitarem ser atendidos emergencialmente.

Depois da greve, os pacientes que restaram serão reorganizados para atendimento. “Pedimos que as pessoas continuem vindo às consultas para que possamos acertar isso”, ressalta Mariângela.

Desde o início da greve, o HC deixou de fazer aproximadamente 1.025 cirurgias. Em dias normais, eram realizadas 40 procedimentos por dia. Com a mobilização, são feitas 12 cirurgias por dia, em caráter de emergência.