Pressionados pelos aumentos consecutivos do diesel, caminhoneiros iniciaram, com baixa adesão, uma greve em todo o país nesta segunda feira (1º). Na Justiça, há 29 liminares contra bloqueios em rodovias, refinarias e portos, que ainda estabelecem multas para os organizadores. Até a tarde desta segunda, não havia registros significativos de ocorrências de bloqueio parcial ou total de rodovias federais ou pontos logísticos estratégicos.

Nas estradas que cortam o Paraná, também não existem pontos de bloqueio, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Veja abaixo as condições do trânsito, em tempo real, nas estradas do Paraná.

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A situação nas estradas é monitorada pelo Ministério da Infraestrutura em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal. À hora do almoço, uma postagem atualizada no Twitter do Minfra dizia que não havia nenhum registro de bloqueio parcial ou total de rodovias federais ou pontos logísticos estratégicos.

Os pontos de concentração, por volta das 7h, teriam caído para apenas dois: às margens da BR-116/RJ, próximo à Rodoviária de Barra Mansa, e às margens da BR-153-GO, perto de Goiânia. Logo no início do dia, às 6h30, policiais rodoviários atuaram para liberar a circulação de caminhoneiros na BR-116/SP, perto de Pindamonhangaba, que afirmavam não sentir segurança para deixar o local. Os portos do país, segundo o governo, seguem também operando dentro da normalidade.

Combustível caro e falta de diálogo

De acordo com líderes caminhoneiros, a greve é resultado do aumento do diesel e da falta de diálogo com o governo federal. A categoria está descontente com a política de paridade de preços da Petrobras com o mercado internacional e não recebeu bem a proposta de auxílio-diesel de R$ 400,00 cogitado pelo governo para os autônomos. Também defende a constitucionalidade da lei do piso mínimo do frete e o retorno da aposentadoria especial aos 25 anos.

Dentre as associações que apoiam o movimento grevista, estão a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de cargas (CNTRC) e a Associação Brasileiras de Condutores de Veículos Automotores (ABRAVA), que já atuaram juntas na greve de 2018. Outras entidades, como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT) se manifestaram contra a paralisação.

Apesar de não acreditar na paralisação, a União foi à Justiça Federal pedir que os caminhoneiros sejam proibidos de bloquear as rodovias federais. O pedido foi atendido por meio de 29 liminares. As decisões judiciais valem para rodovias dos seguintes estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Paraná, Pará, Bahia, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba, Maranhão, Tocantins, Goiás, Amazonas, Piauí e Rondônia.

Em alguns Estados, a Justiça Federal também determinou a aplicação de multas aos caminhoneiros que descumprirem a ordem judicial. Para pessoa jurídica, a violação dos interditos proibitórios pode render multa de R$ 100 mil, em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No Paraná, a penalidade chega a R$ 100 milhões para as pessoas jurídicas que provocarem obstruções ou dificultarem a passagem nas rodovias federais do Estado.

Chamado mantido

O chamado à paralisação segue mantido pelos líderes dos caminhoneiros mesmo após a concessão dos com interditos proibitórios de bloqueios. “Coragem não me falta, o que falta são R$ 100 mil para pagar a multa, se tiver bloqueio”, avaliou em entrevista à Gazeta do Povo Carlos Alberto Dahmer, o “Liti”, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sindicam) de Ijuí (RS) e diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL).

Alguns grevistas avaliam que o movimento está conseguindo atingir seus objetivos, que não envolviam, de imediato, bloquear as estradas. Plínio Dias, presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTCR), disse à Gazeta do Povo que a meta inicial era “diminuir o volume de tráfego nas BRs”. “Tem muitos que passam aqui no posto (de combustíveis), falam com a gente, dizem que vão ficar em casa, que não vão carregar, que vão aguardar o governo chamar a categoria”, afirmou Plínio, que comanda uma concentração de caminhoneiros no posto Fedatto, na BR-376, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.

Outro mobilizador da categoria, no entanto, revelou planos diferentes para a sequência da greve. Em entrevista a José Luiz Datena, na rádio Bandeirantes, na manhã desta segunda, Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, disse que seus advogados tentam no STF derrubar as 29 liminares que proíbem a interdição das estradas. “Derrubando as liminares, vamos fechar uma via, como fizemos em 2018. Orientamos que os caminhões fiquem em casa, nos postos, nas empresas”, completou.

Veja como está o trânsito agora nas estradas do PR

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