Das 18 varas do Trabalho existentes em Curitiba, apenas seis não haviam retomado as atividades até ontem, de acordo com o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Lauremi Camaroski. A situação está trazendo uma série de problemas para quem precisa do órgão. Desde o início da paralisação, 24 de maio, 2.700 audiências deixaram de ser realizadas. Os advogados reclamam que têm dificuldade para saber quais varas estão atendendo e quais serviços funcionam. A paralisação atinge o trabalho das varas de primeira de instância.

A greve também está contribuindo para piorar o ritmo de julgamentos no TRT e aumentar a pilha de processos à espera de julgamentos. Do ano passado para cá, sobraram 55 mil. De janeiro a abril deste ano entraram 31.237 ações e apenas 26.660 foram resolvidas.

A advogada Bernadete Cardoso Guedes Ferreira, embora ache que a greve seja totalmente legal, reclama que está trazendo uma série de transtornos. O principal deles é a falta de informação. Ela disse que até a semana passada todos estavam em greve, mas agora algumas varas e serviços começaram a funcionar e outras não. “Falta uniformização dos procedimentos. Todo dia a gente tem que ligar para saber se haverá audiência”. Ela contou que esta semana ligou para uma das varas e os funcionários não souberam informar. Ela mobilizou os clientes e compareceu, mas não houve audiência. “Falta um posicionamento do Tribunal”, reclamou.

O presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas, Cláudio Ribeiro, endossa as afirmações de Bernadete. “Falta do Tribunal uma definição a respeito da suspensão das audiências e prazos”, queixou-se. Outro problema é que alguns advogados perderam prazos e audiências. Assim, algumas empresas foram julgadas à revelia. Isto ocorre quando uma das partes não comparece e a decisão do juiz é tomada com base no que apresentou a parte que foi até a vara. De acordo com Ribeiro, eles vão tentar reverter está situação.

Para o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a greve está para acabar. Ele comenta que isso pode ser vericado pelo de varas que voltaram às atividades.

Fila

O serviço de protocolo do Tribunal de Justiça voltou a funcionar ontem, onde deram entrada cerca de 6.100 ações, sendo que o normal são 1.500. O presidente do Tribunal esperava para hoje um número também elevado, 2.500 petições. “Vamos fazer mutirão para recuperar o serviço acumulado”, disse.