Foto: Daniel Derevecki

Trabalhadores protestaram na agência da Rua João Negrão.

Quem procurou os serviços dos Correios ontem no Paraná encontrou as agências funcionando, mas não há garantia da entrega das correspondências. De acordo com a empresa, o atendimento aos clientes continua normal e cerca de 60% do setor de distribuição está parado.

Já o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) afirmou que aproximadamente metade do pessoal do atendimento está parado, e cerca de 70% da distribuição não está trabalhando. Os funcionários decidiram ontem pela manutenção da greve, e devem ter nova assembléia hoje pela manhã.

Na maior agência de Curitiba, na Rua Marechal Deodoro, todos os funcionários estavam trabalhando nos guichês e a agência estava lotada. O gerente da agência, Joacir da Rocha Pires, explicou que as correspondências estão sendo encaminhadas, mas o setor de distribuição está funcionando parcialmente. Os Correios informaram que em algumas cidades, como Ponta Grossa, não há paralisação. Os serviços de entregas rápidas como Sedex 10 e Sedex Hoje e o Disque Coleta não estão sendo realizados e a empresa informou que não pode se garantir o prazo de entrega do restante das postagens.

Ontem cerca de 200 carteiros se reuniram em frente à Agência Central dos Correios, na Rua João Negrão, para protestar. À tarde seguiram em passeata até a Boca Maldita, no centro, e depois deliberaram pela continuação da greve.

O Paraná tem cerca de 6 mil funcionários nos Correios, sendo quase metade em Curitiba e Região Metropolitana. Eles reivindicam a regulamentação do pagamento de um adicional de risco de 30% sobre o salário. Esse foi um pedido atendido no final do ano passado em caráter emergencial. Os funcionários receberam o adicional de dezembro até fevereiro. Na última segunda-feira, os Correios haviam proposto o pagamento por mais 60 dias. Mas os trabalhadores decidiram parar até que o abono seja regulamentado em definitivo. Os funcionários dos Correios também pedem o fim de privilégios que seriam dados a detentores de cargos de confiança, pedem a revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários e reclamam das condições de trabalho e da falta de pessoal.

Proposta

Numa reunião na noite de ontem, o governo ofereceu ao comando de greve dos funcionários dos Correios a prorrogação, por 90 dias, do pagamento de um abono emergencial de 30% sobre o salário, em troca da suspensão da greve. Nesse período de 90 dias, governo e funcionários negociariam uma proposta mais ampla. A greve atingiu ontem 21 Estados e o Distrito Federal.