A promessa de uma solução para as cerca de 100 famílias que estão acampadas próximo ao Parque Nacional de Ilha Grande, colocou fim na ameaça de invasão do local. Representes dos governos federal e do Estado se reuniram ontem com os líderes do grupo denominado Xambrê Unido – que representa as famílias -, e se comprometeram a dar uma solução definitiva para os acampados. Eles prometiam invadir o parque e atear fogo na área para chamar atenção do governo.

O grupo, formado basicamente por desempregados e ex-ilhéus, está há sete meses acampados em uma estrada vicinal conhecida como Estrada 30, entre as regiões de Vila Alta e São Jorge do Patrocínio, bem em frente à fazenda Jatobá, que possui metade das terras considerada área de preservação. Eles reivindicam terra para assentamento – e fazem questão de dizer que não possuem nenhum vínculo com o movimento dos sem terra (MST) -, assim como, pagamento de indenizações pela retirada da área, que em 1997 foi transformada em reserva nacional.

Na noite de sexta-feira a Justiça Federal de Umuarama concedeu um interdito proibitório para o Estado, podendo o líder do movimento, Sebastião Rufino dos Santos ser indiciado criminalmente se houvesse a invasão e destruição do Parque. De acordo com o secretário estadual do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, que participou das negociações, o governo deixou claro que não haveria acordo se eles insistisse em levar adiante a ameaça de ocupação.

“Eu entendo a aflição desse povo, que é carente e está há mais de vinte anos aguardando uma solução para o problema, por causa de governos que foram omissos e não tiveram peito para enfrentar o problema”, disse. O secretário não quis adiantar qual será a medida que o governo vai adotar para acabar com o impasse, porém, ressaltou que já existe um plano para viabilizar o mais rápido possível a realocação das famílias. Zimmermann admitiu que terão dificuldades para convencer os acampados para ir para uma área provisória, porém, espera que todos colaborem.