Uma menina recém-nascida, que recebeu o nome de Helena, teve sua vida salva por um procedimento médico inédito no Brasil. O mesmo foi realizado no momento do nascimento da criança, estando esta ainda ligada ao corpo da mãe pelo cordão umbilical.

No último sábado, obstetras, tocoginecologistas, cirurgiões e neurologistas do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná foram responsáveis pela realização de uma Operação Sob Suporte Placentário (OOPS), uma variação de Terapia Intra-parto Fora do Útero (EXIT) sem antecedentes na literatura médica brasileira.

A mãe Paula Regina Pontara, de 33 anos e moradora de Telêmaco Borba, buscou tratamento em Curitiba após descobrir que o bebê que estava gestando apresentava uma obstrução no conduto que leva o oxigênio aos pulmões, uma não formação de um segmento da traqueia que o impediria de respirar ao nascer.

Devido ao problema, a criança poderia ir a óbito logo depois do nascimento ou, na impossibilidade de realização de uma abertura mecânica da traqueia (traqueostomia) em período máximo de quatro minutos, ficar com lesões permanentes no cérebro por falta de oxigênio.

Com 34 semanas de gravidez, a criança deu sinais de que iria nascer. Para evitar o parto precoce, Paula ficou internada dez dias, sendo posteriormente submetida a uma cesariana, durante a qual sua filha passou pelo procedimento de OOPS.

“A mãe recebeu uma anestesia geral para que seu útero não expulsasse a placenta após a saída do bebê. Com isso, retiramos a criança, mas ainda a mantivemos ligada pelo cordão umbilical à placenta dentro do útero, realizando assim uma traqueostomia”, comenta o chefe do serviço de cirurgia pediátrica do HC, Miguel Agulham.

Todo procedimento durou cerca de duas horas. Como nasceu prematura e devido à cirurgia, a pequena Helena está internada na UTI Neonatal, respirando com ajuda de aparelhos e sem previsão de alta.

Antes de completar um ano de idade, ela ainda terá que passar por uma nova cirurgia de traqueia. Entretanto, sua sobrevivência está assegurada e tudo indica que ela deve levar uma vida normal, o que é motivo de comemoração principalmente para Paula e o marido, o advogado Thiago Roberto Lopes.

“Descobrimos o problema de nosso bebê com dezesseis semanas de gestação. Passamos por momentos difíceis e muitos médicos nos deram maus prognósticos. Entretanto, sempre acreditamos que tudo ia dar certo e que nossa filha iria nascer bem. Passamos por uma grande lição de vida, mas estamos muito felizes. Nos últimos dias, minha maior alegria foi poder amamentar a Helena”, conta Paula.