Foto: João de Noronha/O Estado

Pacheco: procedimento simplificado evita seqüelas futuras.

Médicos do Hospital de Clínicas de Curitiba estão prestes a estrear um tratamento que promete melhorar a qualidade de vida dos cerca de 600 hemofílicos paranaenses. A partir de 16 de março esses pacientes poderão realizar no hospital injeções de um medicamento radioativo, destinado ao tratamento de hemartroses de repetição, um tipo de sangramento interno nas articulações, muito freqüente em portadores da doença, que não tem cura.

Mesmo que o método pareça agressivo, o ortopedista Luciano da Rocha Loures Pacheco, um dos responsáveis pelo novo tratamento, explica que ele irá substituir as intervenções cirúrgicas que até hoje são realizadas nesse quadro. "A injeção tem quase o mesmo efeito da cirurgia, mas é um procedimento muito mais simples", explica. Segundo o médico, cerca de 80% dos hemofílicos têm problemas nas articulações, o que quase sempre acaba resultando em seqüelas graves, como a artrose. "Como o tratamento é indicado para pacientes jovens, estaremos assim evitando seqüelas futuras".

No caso das cirurgias para corrigir a hemartrose, explica Pacheco, o paciente precisa ficar internado pelo menos dez dias, além de ser um tratamento dolorido. "Com as injeções, que são injetadas dentro da articulação do paciente, ele volta para casa no mesmo dia". A intervenção é mais barata, exige menos tempo de fisioterapia e menos aplicação de fator de coagulação, medicamento necessário para que o hemofílico possa passar por tratamentos que causam sangramentos. Não há efeito colateral registrado para as injeções radioativas.

O Hospital de Clínicas será o segundo lugar no Brasil que ofertará o tratamento, que já é realizado em Cuiabá (MT), desde 2004. De acordo com o ortopedista, a instituição precisou passar por diversas adaptações e exigências para se habilitar ao tratamento, que exige a manipulação de material radioativo. "Outros países, como os Estados Unidos, já realizam esse tratamento há cerca de 15 anos", informa o médico.