Funcionários ligados à Fundação da Universidade Federal do Paraná para Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura (Funpar) iniciam greve no Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba na próxima segunda-feira. A paralisação foi definida ontem, durante assembléia geral dos servidores.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Terceiro Grau Público de Curitiba e Região (Sinditest-PR), Djalma de Oliveira Pedro, afirma que o principal motivo da decisão foi a falta de negociação com a reitoria da UFPR, que ofereceu apenas um reajuste de 6% nos salários e nenhum acréscimo no vale-alimentação. A categoria havia proposto 18,75% de aumento salarial e 26% de reajuste no vale-alimentação. “É um valor muito inferior, os trabalhadores não têm como aceitar a situação??, comenta o sindicalista.

Dos cerca de 3.400 funcionários do HC, 1.361 são da Funpar, que representa apenas trabalhadores celetistas. No último dia 22 de abril, a categoria paralisou atividades e voltou ao trabalho uma semana depois, após conseguir retomar as negociações. Na época, aproximadamente 250 funcionários aderiram ao movimento “Ainda não temos previsão de quantos vão participar desta nova greve, mas é bem provável que tenhamos mais adeptos do que na passada”, diz Pedro.

Segundo a assessoria de imprensa da Sinditest-PR, o HC teria arrecadado no ano passado cerca de R$ 3 milhões a mais do que em 2001, mas a folha de pagamento dos funcionários teria diminuido. O sindicato afirma que os gastos com salários em 2002 representaram 45% do total, sendo que no ano anterior havia representado 50%. “A arrecadação aumenta, a inflação aumenta e o salário diminui, como isso pode acontecer?”, questiona Pedro.

Referência

O HC é o maior hospital público do Paraná e um dos cinco maiores hospitais universitários do País. Entre os serviços de referência estão o de Transplante de Medula Óssea; o Banco de Leite Humano, único de Curitiba e referência no Paraná, e tem o título de “Hospital Amigo da Criança”, concedido pelo Unicef. A previsão do Sinditest é a de que vários setores sejam atingidos com a paralisação a partir da próxima segunda-feira. Somente as emergências, como UTI e serviços de pronto-atendimento, funcionarão normalmente. Não há previsão para o término da greve. Segundo o sindicato dos funcionários, vai depender da manifestação da reitoria.