O Paraná continua em situação privilegiada em relação a outros estados no enfrentamento da covid-19, com quase metade dos leitos reservados ainda disponíveis, mas o aumento de casos na última semana e a chegada do inverno deixam os hospitais em alerta para um provável crescimento da ocupação nos próximos dias. Em entrevista coletiva na segunda-feira (8), o presidente do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar), Flávio Feu Ventorim, avaliou o quadro do sistema hospitalar no estado.

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“Estamos, de acordo com os informes da Secretaria Estadual de Saúde, como um dos melhores estados do país em relação à covid. Tivemos aumento do número de casos, mas ainda não conseguimos garantir que é covid, porque, nesta época do ano, sempre aumenta a procura de pacientes com síndrome respiratória. De modo geral, não mudou o cenário, estamos com uma média de ocupação em torno de 50%”, disse. O gestor hospitalar afirmou ter verificado aumento, principalmente no pronto-atendimento a casos respiratórios e cita que o maior fluxo ocorre na semana seguinte a eventos como o feriado de 1º de maio e o dia das mães.

Ventorim, que também preside a Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná (Femipa) reforçou a preocupação dos gestores com a redução na ocupação para outros atendimentos e a consequente queda de faturamento dos hospitais e disse que o recurso a ser repassado pelo Ministério da Saúde como socorro aos hospitais filantrópicos pode ser insuficiente caso confirme a tendência de aumento de casos no Paraná. “O recurso, muito importante, foi aprovado, mas sua distribuição ocorreu pelo critério da estatística de momento da pandemia em cada região. Com menos casos até agora, o Sul foi muito prejudicado, mas todos sabem que o pico aqui seria no inverno”, comenta.

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Os hospitais dizem ainda estarem com dificuldades para a aquisição de novos respiradores, por causa da escassez no mercado e do alto preço cobrado pelos poucos fornecedores que ainda têm o equipamento à venda. “Mas respirador é um item de UTI, que precisa de toda uma estrutura, não só de equipamentos, mas, principalmente, de pessoal. Vimos, pelos estudos e pelo que aconteceu na Itália e Espanha, que a UTI é fundamental para paciente grave, mas o esforço tem que ser feito antes da UTI, numa UTI, o paciente fica até 20 dias e o risco de morte é alto”, disse.

Para tentar evitar o agravamento do quadro, os hospitais têm adotado diferentes protocolos de atendimento para os pacientes já nos primeiros sintomas, muitas vezes, com o uso da cloroquina. “Os hospitais estão usando cloroquina e hidroxicloroquina para tentar salvar a vida dos pacientes. Precisa da autorização do paciente ou da família, mas, quando há indicação do médico e esse consentimento, se a indicação é pertinente, o paciente vai receber”, disse, explicando que há diferentes protocolos de tratamento. “O vírus age de formas muito diferentes em cada paciente, depende das outras doenças que o paciente tem, o tratamento é específico, quase que individualizado”, diz.

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Ventorim ainda destacou a preocupação dos hospitais com a situação dos profissionais de saúde, um dos grupos mais expostos à contaminação. Há registro de surtos em hospitais e isso é o que mais queremos evitar. Por isso tomamos algumas medidas antipáticas, como a proibição de visitas e de acompanhantes a alguns procedimentos. Sabemos que são medidas ruins para as famílias, mas precisamos proteger nossos pacientes, temos muitos pacientes imunodeprimidos, no grupo de risco, e também não podemos perder nossos profissionais de saúde”, concluiu.


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