A família de Maiane Cristina Santos da Silva, 12 anos, acusa a equipe médica do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, de negligência.

Na manhã de ontem, a mãe da menina encontrou-a morta no quarto. Mariane foi internada com suspeita de apendicite, mas a doença havia sido descartada e ela receberia alta à tarde. O atendimento era particular.

De acordo com a mãe, Isabel Cristina Ribeiro dos Santos, a avó de Mariane passou a noite com a neta, que dizia se sentir bem. Uma tia buscou a avó no hospital pela manhã, levou-a até a residência, no bairro Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul, e retornou para o hospital menos de 20 minutos depois, para ficar com Isabel.

“Encontrei minha filha como um cachorro, jogada no chão. Pedi para que viessem urgente socorrê-la, mas não veio nenhum médico, só enfermeiras. Ela já estava morta”, conta.

Campainha

A família foi informada que o quarto não tinha campainha para que a menina pudesse chamar ajuda, e que, em caso de emergência, Maiane deveria usar o telefone para acionar as enfermeiras. “Acho que ela caiu da cama tentando discar enquanto passava mal”, supõe Isabel.

Para a equipe médica, o caso foi uma fatalidade. “Não sabemos o que aconteceu. Foi uma morte súbita. Ela receberia alta no mesmo dia, já que fez vários exames e todos tiveram resultados normais”, explica Beatriz Paternoster, assistente social do Hospital Angelina Caron.

Segundo ela, uma funcionária da limpeza e uma enfermeira estiveram no quarto no tempo em que a menina ficou sozinha, e a paciente estava bem. Isabel garante que pediu mais exames aos médicos, porque aos 4 anos, Mariane teve hepatite.

“Pedi para que eles investigassem melhor a causa da dor. Até pensei em transferi-la para outro hospital, mas eles disseram que ela estava bem e que não havia necessidade”, relata.

Boletim

Durante a tarde, a família buscou a delegacia para registrar boletim de ocorrência por negligência médica contra o hospital. O corpo de Maiane foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal para apuração da causa da morte.

“Minha filhinha fazia tudo para mim. Cuidava também dos outros dois irmãos.Sei que ela não volta, mas o hospital tem que ter responsabilidade com as outras crianças”, desabafa Isabel.