A sobrecarga de pacientes com covid-19 no sistema de saúde na região Oeste do Paraná levou o Hospital de Retaguarda de Cascavel a emprestar equipamentos do zoológico da cidade. Foram cedidos um respirador e nove bombas de infusão – aparelho que leva a medicação do soro até o braço do paciente.

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Desde domingo (28), o hospital, referência no tratamento de coronavírus na região, está atendendo além de sua capacidade. São 43 pacientes para apenas 28 leitos de enfermaria e 22 pacientes para 20 pacientes de UTI. Os 15 pacientes a mais da enfermaria estão alocados em macas de observação e os dois a mais de UTI utilizam respiradores de ambulância. Semana passada, o hospital recebeu o reforço de quatro leitos de UTI, que foram ocupados de imediato.

O diretor do Hospital de Retaguarda, o médico Lísias Tomé, explica que domingo (28) um paciente precisou ser intubado, mas não havia respirador disponível. Diante da urgência, foi solicitado o equipamento do zoológico. “Tivemos que criar uma alternativa em função da situação tão grave. Eu poderia nesse momento ficar parado, reclamando da situação ou poderia tentar encontrar uma saída. E a situação mais viável naquele momento foi pedir um ventilador emprestado do zoológico”, disse o diretor do hospital.

O respirador mecânico usado para cirurgias veterinárias, que é semelhante ao usado em humanos, chegou a ser testado no hospital, mas não precisou ser usado. De última hora, o Hospital Regional conseguiu dois ventiladores de transporte, aparelhos que são usados em ambulâncias. “Esses ventiladores de ambulância não são bons como os de hospital, mas já ajudaram”, afirma Tomé.

Sabendo do quadro crítico, hospitais particulares cederam nesta segunda-feira quatro respiradores ao Hospital de Retaguarda até que a situação se estabilize.

Diante da situação extrema, o próprio prefeito Leonaldo Paranhos foi a São Paulo buscar os 15 respiradores solicitados por Cascavel ao Ministério da Saúde, os quais chegaram nesta segunda. O município também solicitou 15 monitores da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). Já a organização das equipes para atuar com esses equipamentos que abrirão mais leitos de UTI será feita pelo Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste (Consamu).

Bombas de infusão

Assim como outras unidades de saúde de todo o país, o Hospital de Retaguarda de Cascavel sofre com a falta de bombas de infusão nos leitos. Segundo Tomé, com o aumento de leitos em todo o país, a indústria está com dificuldade de fornecimento e só consegue entregar os aparelhos com prazo de 15 dias.

Diante disso, o Hospital de Retaguarda de Cascavel também emprestou do zoológico nove desses aparelhos que levam a medicação até o paciente. Entretanto, neste caso não foi possível utilizá-los, já que também não há a borracha que empurra o medicamento, a qual tem que ser trocada a cada duas ou três horas.

Diante disso, os técnicos de enfermagem têm que controlar as medicações manualmente, calculando a quantidade de remédios a ser inserida no soro. “Esse sistema é como se faziam nos hospitais antigamente, o que demanda mais tempo da enfermagem, que precisa ficar conferindo as doses toda hora”, explica o diretor do hospital.