A correta destinação dos resíduos sólidos tem sido motivo de preocupação entre os grandes geradores de lixo. O Decreto 1153/2004, da Prefeitura de Curitiba, estabelece que quem produzir mais de 600 litros semanais de resíduos não pode mais destiná-los ao aterro sanitário da Caximba, que está com sua vida útil quase esgotada. Por isso, as empresas estão tendo que encontrar outras alternativas.

Desde outubro do ano passado, o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), adota um plano de gerenciamento de resíduos sólidos que vem sendo apontado como modelo por especialistas.

No local – que tem sua planta localizada dentro da área de proteção ambiental (APA) do Iraí – foi instalada uma Central de Triagem de Resíduos. A mesma tem setecentos metros quadrados e fica anexa à estação de tratamento de efluentes.

“Dentro do hospital, são feitas seis coletas diárias de diversos tipos de resíduos, como os de saúde, rejeitos de cozinha, lâmpadas, plásticos, papelão, entre outros materiais. Os resíduos vão para uma mesa separadora dentro da central e passam por rigoroso processo de segregação. Os materiais são separados por tipo e quantificados. Mensalmente, somam cerca de sete toneladas”, explica o químico e técnico em meio ambiente Zenewton Eduardo Kluppel, responsável pela empresa Oliveira Kluppel Assessoria Ambiental.

Para atuar na central de triagem, doze funcionários do hospital receberam qualificação e passaram por treinamento específico. Os resíduos de saúde que vão para o local são encaminhados a uma empresa que lhes dá a correta destinação.

Já os demais são vendidos a empresas com licença de operação junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e que ficam responsáveis pela reciclagem dos mesmos. O dinheiro obtido com a venda é destinado à própria central, sendo que uma parte é dada como ganho extra aos doze funcionários em atividade.

“Com a central, o hospital conseguiu, desde outubro, reduzir em 12% a fração de resíduos que era destinada ao aterro da Caximba, normatizar seus resíduos de saúde e ter uma economia de cerca de 30% nos custos com a destinação total de resíduos. Porém, o grande ganho é em responsabilidade sócioambiental”, finaliza Zenewton.