O único hospital psiquiátrico que atende a região de Ponta Grossa está fechando as portas depois de 37 anos de funcionamento. As dificuldades financeiras foram os motivos que levaram o Hospital Franco da Rocha a desativar os 200 leitos. Nem mesmo a promessa da Secretaria de Estado da Saúde de um repasse mensal de R$ 205 mil, para manter 160 leitos, foi suficiente para barrar o fechamento.

A proposta foi feita pelo diretor de Sistema de Saúde da secretaria, Gilberto Martin, durante uma reunião na terça-feira em Ponta Grossa, onde participaram responsáveis pelo hospital e representantes de órgãos de saúde do município. A resposta deveria ser dada em uma semana, depois que os oito médicos que atuam no estabelecimento fossem consultados sobre a possibilidade de assumir a direção do hospital. Ontem, o diretor clínico e técnico do Franco da Rocha, Sérgio de Abreu Lima, confirmou que a proposta não foi aceita e a tendência é o fechamento. Os dois pacientes que ainda estavam no hospital seriam transferidos para unidades em Curitiba, e os funcionários já foram dispensados.

Segundo Lima, 99% dos atendimentos feitos no hospital eram de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A diária de R$ 27 repassada por paciente não era suficiente para cobrir as despesas de hospedagem, alimentação e tratamento. Além disso, a verba sempre vinha com atraso. O diretor afirmou que os R$ 140 mil referentes ao mês de setembro ainda não chegaram.

O diretor da Secretaria da Saúde, Gilberto Martin, ainda apostava na possibilidade de um arrendamento do hospital por parte dos médicos. “Para nós isso seria o ideal”, comentou. Porém, diante dessa impossibilidade, disse que a alternativa será repassar o teto financeiro de R$ 205 mil para hospitais da Região Metropolitana de Curitiba que absorveriam os atendimentos. Martin não adiantou quais seriam esses hospitais, “pois ainda estamos em entendimento com eles”. O diretor admite que, geograficamente, a população poderá ter dificuldades, mas não ficará sem atendimento.