Henry Milleo / Futura Press
O promotor Fuad Faraj, fiscais do IAP e
policiais florestais inspecionaram os trilhos.

A pedido do Ministério Público Estadual (MPE), o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) embargou para o tráfego de materiais considerados perigosos (combustíveis, produtos químicos etc.) um trecho de cerca de quatro quilômetros de ferrovia na região da Represa de Alagados, em Ponta Grossa. Ontem, técnicos do IAP, Força Verde da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recurso Hídricos (Sema) e o promotor de Justiça da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, Fuad Faraj, fizeram uma vistoria no local. “A situação realmente está ruim”, disse o promotor.

Segundo Faraj, a visita foi motivada por denúncias da população da região e pelo receio de que novos acidentes como o de Mafra aconteçam e a cidade fique sem água, já que a represa é responsável pelo abastecimento da cidade. “Encontramos dormentes podres e mal fixados. É possível tirá-los do lugar com a mão”, contou.

Além do embargo, o promotor disse que vai instalar um inquérito civil público cobrando a fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANNT). “Também notificamos a ALL para que faça a manutenção e esclareça sobre um possível descarrilamento que aconteceu no local há alguns meses e não foi comunicado”, afirmou. Segundo o promotor, moradores da região denunciaram que aconteceu um acidente no local e ninguém foi avisado. “Há marcas mostrando que possivelmente aconteceu um acidente sim”, ressaltou.

Normal

Conforme a ALL, dormentes em condições ruins, os chamados inservíveis, são comuns em toda a malha Sul, assim como em todas as ferrovias brasileiras. Segundo a empresa, há um limite tolerável para a presença de dormentes com estado de conservação ruim. A empresa informou que está estudando o que fará a respeito do embargo. A ALL transporta fertilizantes, madeira, cimento e material siderúrgico no trecho de vinte quilômetros entre Ponta Grossa e Carambeí.

Ela já concluiu o transbordo da carga dos oito vagões envolvidos no acidente ocorrido na segunda-feira, em Mafra, e agora concentra-se nos trabalhos de remoção do líquido das piscinas de contenção. Posteriormente, será feita a raspagem do solo contaminado. Todo o material retirado será processado por uma empresa indicada pelo órgão ambiental competente.