Está chegando ao fim o drama vivido pelo aposentado Elízio Pereira da Silva, 62 anos, morador do bairro Santa Rita de Cássia, em Campina Grande do Sul. A história do ex-porteiro, que sofre de apneia e ficou nove meses sem dormir, saiu no Paraná Online de 11 de outubro e comoveu dezenas de leitores, que se dispuseram a ajudá-lo.

Depois de diversos telefonemas e contatos, há dez dias Elízio recebeu de um empresário o CPAP, aparelho que custa R$ 4 mil e permitirá que ele volte a dormir normalmente. A Secretaria Estadual da Saúde não atendeu o pedido do equipamento. Porém a máscara que veio com o CPAP não foi a adequada para o caso de Elízio. “Não deu bem certo, pois preciso de uma máscara que pegue no nariz e na boca. Mesmo assim, já estou usando o aparelho e já melhorei bastante. É um alívio muito grande poder deitar às 22h e conseguir dormir três horas seguidas. Depois, consigo dormir aos poucos, mas não preciso mais ir para a varanda”, conta.

O ex-porteiro voltou anteontem ao Instituto de Medicina do Sono do Hospital Angelina Caron e uma máscara adequada para seu caso deverá ser cedida ou uma adaptação deverá ser feita para que Elízio Pereira da Silva, 62 anos,possa sentir totalmente os efeitos do CPAP. “Temos um fisioterapeuta que faz isso. Na semana que vem o paciente vai voltar aqui e escolher a máscara para que ele possa usar de forma mais adequada para o seu caso”, explica a otorrinolaringologista e especialista em distúrbios do sono do Hospital Angelina Caron, Karin Dalvesco.

Ela revela ainda que o caso de Elízio será acompanhado de perto depois que o aposentado passar a utilizar o aparelho de forma adequada. A especialista informa que será realizado um trabalho especial para que o paciente possa amenizar os danos causados pela apneia. “Ele apresenta um quadro de diabetes por causa do sobrepeso e de hipertensão arterial. São efeitos da apneia. A melhora da qualidade do sono com o CPAP será imediata. Assim, ele compensará o quadro de hipertensão e terá mais disposição para reduzir o peso. Será feito também um acompanhamento nutricional com o paciente”, detalha.

Sonho de Elízio é abrir uma serralheria

Elízio Pereira da Silva se emocionou com a repercussão de seu caso e a comoção das pessoas dispostas a auxiliá-lo. “Achei que não existia mais esse tipo de pessoa. Vi pessoas que têm dinheiro dando força e hoje é difícil acontecer uma coisa dessas. Ainda têm pessoas boas no mundo, que olham por nós”, diz. “É difícil ficar refém de um aparelho. Fiquei meses sentado na varanda. Pessoas passavam nas ruas e tiravam sarro, falando que eu tinha vida boa, mas não sabiam nada do que estava acontecendo”, desabafa.

Agora, a meta de Elízio, que tem dois filhos de 7 e 10 anos, é voltar a ter uma vida normal e, principalmente, voltar a trabalhar e ajudar no orçamento da família, que hoje conta apenas com a aposentadoria dele e com o salário da esposa, que trabalha como diarista.

“A ideia é montar uma coisa por conta. Conversei com um conhecido para voltar a ter uma serralheria, mas falta dinheiro para a compra das máquinas. Se não der isso, vou buscar fazer bicos como pintor, assim como eu fazia antigamente”, planeja o aposentado.