A greve de ônibus acabou, mas ainda restam dúvidas a respeito do verdadeiro impacto da paralisação para o bolso dos cidadãos. A principal delas é quem vai pagar a conta dos quase dois dias sem transporte coletivo, que resultaram em aumento dos vencimentos dos trabalhadores, perda de faturamento das empresas e depredação de veículos da frota. Ainda não é possível calcular os custos de tudo isso, mas já se fala no possível aumento da tarifa.

Atualmente, os encargos trabalhistas das empresas correspondem a 42% do valor da passagem, mas com o reajuste de 10,5% nos salários de motoristas e cobradores, esse percentual poderia chegar a cerca de 47%, segundo o presidente da Urbs, Marcos Isfer. Com isso, caso o aumento fosse repassado integralmente e proporcionalmente, a tarifa poderia passar de R$ 2,50 para um valor próximo de R$ 2,60, sem considerar alterações nos demais índices que compõem o cálculo da passagem.

Impacto

No entanto, Isfer negou a possibilidade de alterações na tarifa, alegando que a Urbs ainda precisa da avaliação completa do impacto da mudança. “O aumento concedido aos trabalhadores passou muito do valor do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que usamos para calcular os reajustes, então estamos fazendo diversos estudos para fazer a adequação tarifária, que não representa necessariamente aumento na passagem”.

De acordo com Isfer, os estudos podem apontar para a necessidade de equação do transporte metropolitana e urbano. “Se o custo do metropolitano estiver acima do urbano, pode haver equilíbrio com participação do governo”.