Fotos: Daniel Derevecki

Professor usa mesa improvisada para poder passar a lição aos alunos.

Metade de uma mesa de pingue-pongue quebrada como quadro de giz. É assim que os alunos de uma turma do segundo ano do ensino médio do Colégio Estadual Fazenda Velha, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, estão tendo aulas há uma semana. Até que a situação relativamente ?melhorou?, porque desde o início do ano letivo os professores escreviam com giz na parede. A sala, com 40 estudantes, é improvisada e apertada. A causa para tudo isso é a grande quantidade de alunos inscritos para o período matutino no ensino médio.

Os estudantes ficaram descontentes com a situação. Eles e os pais estão se mobilizando e entrando em contato com a Secretaria de Estado da Educação, mas não obtiveram respostas. Como medida emergencial, a comunidade escolar se reuniu e pegou dinheiro da Associação dos Pais e Mestres para comprar um quadro negro, por conta própria. Mas o material ainda não foi entregue. Segundo as alunas Valéria Rocha, Viviane Rosa, Juliane Cercal, Aline Moreto, Thalita Pereira, Daiane Cavaglier, Daiane Fernandes e Aline Roberta, tudo é improvisado.

Na escola, cantina virou biblioteca e o teto ameaça cair em alguns locais.

A sala onde a turma está estudando era a antiga biblioteca do colégio. Os livros foram remanejados para onde funcionava a cantina. E, agora, os estudantes são servidos ou compram lanches em locais também improvisados.

?Muitos pais não querem mais matricular os filhos no período da noite. Tivemos uma grande demanda. Ainda há uma grande procura por transferências?, explica o diretor do colégio, Wilson Ubiratan Fernandes.

Se não bastasse o problema da sala apertada e da falta de quadro negro, parte da escola está em condições precárias. Uma cobertura de madeira, que protege um corredor entre cinco salas (sendo quatro delas de madeira), está com pontos podres e outros apresentam infiltração.

A cobertura já cedeu alguns centímetros. Segundo os alunos, sempre que chove o local alaga. Eles e os professores têm medo de que a cobertura ceda e cause acidentes. O diretor do colégio garante que já foram enviados diversos pedidos de melhorias para a Secretaria de Estado da Educação.

O órgão, por meio de assessoria de imprensa, informou que consegue resolver problemas de material – como a ausência do quadro negro ainda nesta semana. Além disso, uma reforma no colégio está prevista para ainda este semestre.

O problema da grande procura por vagas, segundo a secretaria, deve ser amenizado depois da construção de uma nova escola na região da Costeira. A licitação já foi aprovada e as obras devem começar logo.