Os índios caingangues da Reserva Apucaraninha, que ocuparam no último domingo uma usina hidrelétrica da Companhia de Energia (Copel) do Paraná no município de Tamarana, no norte do estado, continuarão no local pelo menos até a próxima terça-feira. A decisão foi tomada ontem, numa reunião em Londrina, em que participaram o procurador da República João Akira Omoto, representantes dos indígenas, o administrador da Funai em Londrina, José Gonçalves Santos, e representantes da Copel.

No próximo encontro os índios esperam que a Copel já tenha uma proposta definitiva sobre a reivindicação de uma indenização por danos ambientais causados pela hidrelétrica, que fica dentro da reserva. Os índios entraram com uma ação na Justiça pedindo indenização por problemas causados pela hidrelétrica em 2002. Mas os indígenas e a Copel divergem sobre o valor da indenização. O impasse foi parar na 6.ª Câmara do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília, que arbitra o caso.

Com o acerto da reunião de ontem, os caingangues ficarão mobilizados na área da usina e dois funcionários que estavam impedidos de sair do local foram liberados. Pelo acordo, os índios não irão interferir na passagem de funcionários da empresa, pelo menos até a próxima semana. A produção de energia não foi interrompida.

Segundo Santos, a ação dos caigangues só aconteceu porque a comunidade esperou muito tempo para uma posição da Justiça sobre o caso. ?Acho difícil eles saírem de lá sem o acordo final?, diz.

A assessoria de imprensa da Copel diz que irá iniciar a nova negociação na próxima semana, mas que o valor final da indenização deve sair de uma decisão da Justiça.