Terminou ontem o prazo de dez dias dado pela Justiça Federal à Fundação Nacional do Índio (Funai), para resolver a questão dos índios avá-guarani que há quase dois meses estão acampados no interior do Parque Nacional do Iguaçu, no Oeste do Paraná. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pediu a reintegração de posse na Justiça.

Porém, numa audiência realizada ontem, entre o juiz da 2.ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, Rony Ferreira, a Funai, e o cacique Simão Tupã Reta Vilialva, representante dos índios, o administrador da Fundação em Guarapuava, Alvacir Jesus Sales Ribeiro, informou que está à procura de área para a mudança dos índios, mas que até o momento, não houve meio de concluir nenhum tipo de arrendamento ou aquisição. Com isso, os índios permanecerão no parque.

Numa primeira audiência de conciliação entre as partes, realizada no último dia 18, o juiz havia dado um ultimato para a retirada dos índios até ontem. O administrador da Funai solicitou mais 60 dias para concluir as negociações de arrendamento de uma área para abrigar os indígenas até o órgão adquirir terras para a mudança permanente. Os índios também se negaram mais uma vez a retornar a sua aldeia até que o arrendamento seja concluído e reafirmaram que só deixam o Parque Nacional quando houver uma área em que possam ser realocados. Com o fim do prazo para solução do caso, o juiz analisará o pedido de liminar na próxima quinta-feira. Caso a decisão seja favorável ao Ibama, a reintegração de posse do Parque do Iguaçu será encaminhada pela Polícia Federal.

Histórico

O Ibama ingressou na Justiça, no dia 3 de outubro, com uma ação de reintegração de posse em relação à área invadida no Parque Nacional do Iguaçu, por 55 índios avá-guarani. A ocupação da área ocorreu na manhã de 3 de setembro. Os indígenas da Reserva Santa Rosa do Ocoí, às margens do Lago de Itaipu, em São Miguel do Iguaçu, decidiram acampar na unidade de conservação como forma de pressionar o governo federal. Os índios alegam que a área em que estavam é pequena para o tamanho da comunidade.

Na primeira audiência com a Justiça, o grupo aceitou abandonar o local, caso outra área fosse encontrada. O ato teve momentos de tensão, como quando o juiz cogitou aos indígenas retornarem à reserva na margem do Lago. "Nós não somos invasor de nada. Vou morrer ali porque o índio já está morrendo na reserva", disse o cacique na época. No final do debate ficou definido que a Funai arrendaria uma área de 80 alqueires nas cercanias do Parque do Iguaçu, no município de Matelândia. Nesse local o grupo permaneceria por 60 dias, até o órgão adquirir um terreno definitivo.