Colocar informações falsas no currículo, com o intuito de conseguir uma vaga de emprego ou bolsa de estudos, é mais comum do que se imagina. Porém, a mentira pode se transformar em crime. Está em trâmite na Câmara dos Deputados um projeto de Lei (número 6561/09) que prevê detenção de dois meses a dois anos a quem cometer a infração.

Segundo o autor da proposta, deputado Carlos Bezerra (PMDB/MT), “a punição será atribuída àqueles que falsificarem o currículo, integralmente ou em parte, inserindo informação falsa nele ou em banco de dados que armazene ou disponibilize para consulta o respectivo conteúdo, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal, causar dano a terceiros ou habilitar alguém a obter cargo, emprego, função, título, bolsa de estudos, isenção de ônus ou serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem”.

A head hunter da empresa de recursos humanos De Bernt Entschev, de Curitiba, Emmanuele Spaine, diz já ter perdido as contas de quantas vezes se deparou com candidatos a vagas de emprego mentirosos.

Ela já chegou a ter em mãos até um diploma falsificado e conta que geralmente as mentiras estão mais ligadas à formação e idade. Segundo ela, os que mais mentem são os jovens.

“Muitas vezes, as pessoas mentem achando que assim vão conseguir ter acesso à empresa que está disponibilizando a vaga. Acreditam que, chegando lá, vão ser capazes de vender a si próprios tão bem que vão acabar conquistando a posição ofertada ou alguma outra que possa vir a ser disponibilizada. Geralmente são pessoas que ainda não têm segurança profissional”, conta.

Por mais que a mentira seja bem contada, dificilmente ela não é descoberta. Quando a fraude é detectada, o dono do currículo fica marcado como um profissional mentiroso e acaba deixando de ser chamado para participar de outros processos seletivos. “Mentir no currículo, além de imoral, acaba com o histórico de uma pessoa”.