“Pobres e vagabundos”. Com esses argumentos um homem na faixa dos 30 anos distribuiu socos e pontapés contra dois agentes de trânsito, um homem e uma mulher, após ser autuado por causa da caminhonete F-250 estacionada na vaga de táxi. A agressão ocorreu na madrugada do dia 12 do mês passado, às 0h57, no ponto do Alto São Francisco. Cinco pessoas saíram de um edifício residencial e se dirigiram ao veículo disparando xingamentos. Quatro deles entraram no veículo, enquanto o quinto decidiu partir para cima do agente. “Primeiro ele arrancou a prancheta e o bloco que foram jogados para o lado de dentro do edifício. Em seguida, levei vários socos e chutes que só terminaram quando me jogaram contra um táxi”, contou o agente.

A agente de trânsito foi tentar conter o homem e tomou três socos e um forte puxão de cabelo. “Em 21 anos de rua nunca havia sido agredida fisicamente. Achei que ele não bateria numa agente mulher e com mais idade”, explicou. Ela conta que ao entrar na viatura, poderia ter bloqueado a passagem da caminhonete para dar tempo da polícia chegar. Mas temeu que o homem desviasse pela calçada da Rua Carlos Cavalcanti. “Não tinha como voltar atrás no que havia acontecido conosco, deixei o carro escapar para evitar mal maior, pois fatalmente atingiria as pessoas das imediações do Empório São Francisco”, declarou.

Trabalho

Três viaturas da Polícia Militar prestaram atendimento, mas os dois agentes seguiram trabalhando até o final do turno, às 6h. “Sabemos do nosso dever, apesar de termos sido chamados de vagabundos enquanto trabalhávamos. O nosso papel é fiscalizar o trânsito para preservar pedestres e motoristas”, lembrou o agente.

Polícia avança na investigação

A Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) conta com efetivo aproximado de 400 agentes para fiscalizar a frota, que já supera 1,2 milhão de veículos, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). Proporcionalmente, cada agente fiscaliza cerca de três mil veículos. Na prática, durante o fim de semana, nos turnos da noite e madrugada, o efetivo varia entre três e quatro agentes para cuidar do trânsito de toda a cidade. Tamanha vulnerabilidade levou a Urbs, que até então era responsável pela fiscalização, a criar em 2009 uma equipe paralela chamada “anjos da guarda”, com 13 funcionários com missão de interferir em situações de conflitos contra os agentes.

Entretanto a frouxidão da punição aos agressores, em que condenados que arcam apenas com cestas básicas e serviços comunitários, também contribui para esse quadro de violência. “Teremos tolerância zero com as agressões, pois é inaceitável descontar o próprio erro em quem está trabalhando para o município”, destaca o secretário municipal de trânsito, Marcelo Araújo. Além da multa de R$ 85,13 e dos quatro pontos na carteira pela infração, o agressor deverá responder cível e criminalmente. “Tem que acabar essa história de punir quem bate em agente de trânsito com meia dúzia de cestas básicas”, disse o agente agredido.

Reconhecimento

Prova dessa mudança na forma de tratar esse tipo de situação, é que as investigações sobre o autor das agressões estão bem adiantadas no 3.º Distrito Policial e, segundo o superintendente da Polícia Civil, Sérgio Quirino, ainda nesta semana poderá ser reconhecido o autor.