Representantes de organizações de assistência a deficientes visuais e da sociedade civil organizada se reuniram ontem, na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, para discutir os problemas financeiros e de gestão pelos quais o Instituto Paranaense de Cegos (IPC) está atravessando. A entidade, que completa 70 anos, estaria com uma dívida acumulada em R$ 800 mil.

A dívida está sendo investigada pelo Ministério Público Estadual (MPE), que instaurou uma ação civil pública para apurar as responsabilidades de eventuais fraudes no repasse de verbas públicas e do desvio de doações. O MPE chegou a nomear um interventor para realizar um levantamento técnico e financeiro a cerca do problema.

De acordo com o interventor do IPC, Ênio Rodrigues da Rosa, atualmente, o instituto arrecada menos do que o necessário para suprir suas despesas básicas. “A entidade tem um déficit de cerca de R$ 10 mil por mês”, atesta. Segundo o interventor, se algo não for feito num curto período de tempo, a situação pode ficar praticamente indissolúvel.

Ênio Rosa conta que, uma das alternativas para sanar parte da dívida seria a venda de dois imóveis do IPC, que juntos poderiam render ao instituto entre R$ 350 mil e R$ 400 mil.

De acordo com a promotora Danielle Cristine Tuoto, da Promotoria de Proteção da Pessoa Portadora de Deficiência, metade da dívida do IPC, ou cerca de R$ 350 mil, corresponde a dívidas com as companhias de energia e de abastecimento.

Os documentos anexos à ação civil pública proposta demonstram não apenas a má administração, mas também desvios de verbas públicas, além da depreciação do patrimônio.

“Há casos de imóveis vendidos ou doados ilegalmente. Solicitamos a quebra do sigilo bancário de membros da antiga diretoria para comprovar enriquecimento ilícito”, diz.