Foto: Lucimar do Carmo

Quanto maior a participação na procura por soluções, maior a garantia de que as medidas serão  aplicadas. (Alcidino Pereira, da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba).

Deixar os limites geográficos de lado. Pensar e colocar em prática ações integradas, em diferentes áreas, em toda uma região metropolitana.

É dentro desse contexto que precisa estar inserido o planejamento urbano de grandes cidades, como Curitiba, e seus municípios adjacentes.

O assunto foi discutido ontem no Seminário Gestão Pública do Espaço Metropolitano, organizado pelo Ministério Público do Paraná em parceria com a Universidade da Flórida (Estados Unidos).

Na opinião do responsável pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) – órgão vinculado ao governo do Estado -, Alcidino Bittencourt Pereira, a Região Metropolitana deve ser vista como uma grande cidade. ?Os problemas não podem mais ser resolvidos isoladamente. Temos diversas situações que servem de exemplo, como o lixo, a água, o transporte coletivo?, comenta.

No entanto, ainda não se chegou a uma integração plena entre todos os municípios que fazem parte da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), apesar de iniciativas como a própria Comec e, ainda, a Associação dos Municípios da Região Metropolitana (Assomec).

Foto: Lucimar do Carmo

Se os políticos fizessem o que os urbanistas dizem, haveria cidades melhores. "Joseli Macedo, professora da Universidade da Flórida (EUA)".

A resistência na participação de decisões conjuntas é uma das barreiras, segundo Pereira. ?Por isso, a Comec quer incorporar as administrações municipais nos processos decisórios. Quanto maior a participação na procura por soluções, maior a garantia de que as medidas serão aplicadas?, afirma.

Para o professor Lóris Carlos Guesse, do curso de Gestão Técnica do Meio Urbano, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os empecilhos na integração têm origem em diversas razões, especialmente de caráter político. A união dos municípios também é necessária para resolver problemas da habitação na RMC.

?Fatores ambientais impedem o crescimento para as áreas norte, leste e oeste de Curitiba. A expansão vai para o sul e para outros municípios da região metropolitana. Mas é preciso lembrar que, como em Curitiba, não há mais lugar para ficar e a oferta de lugares diminuiu?.

O seminário foi acompanhado por alunos americanos, liderados pela professora doutora brasileira Joseli Macedo, que mora nos Estados Unidos e leciona atualmente no Departamento de Planejamento Urbano e Regional da Universidade da Flórida. ?O planejamento das cidades é completamente diferente entre Estados Unidos e Brasil, por razões históricas, culturais e econômicas?, afirma.

Mas ela ressalta: ?Se os políticos fizessem o que os urbanistas dizem, com certeza haveria cidades melhores. Em Curitiba, houve uma superposição do momento político com o planejamento urbano, e isto faz diferença. Mas os alunos norte-americanos estão atentos ao marketing que é realizado em relação à cidade?, afirma.