Peças de computador encontradas no lixo estão dando nova esperança a funcionários da Unidade de Valorização de Rejeitos do Instituto Pró Cidadania de Curitiba (IPCC), que funciona na Fazenda Solidariedade, em Campo Magro. Graças a equipamentos jogados fora pela população, trinta funcionários estão podendo aprender informática, recebendo noções de Windows e Office 97.

Tudo começou no último mês de julho, quando dirigentes do IPCC se deram conta da grande quantidade de peças de computadores que eram encontradas no meio de materiais destinados à reciclagem. Com a constatação, o auxiliar administrativo do instituto, Alisson José Santos, começou a recolher as peças, limpá-las, testá-las e fazer pequenos reparos.

?Em média, 20% das peças que encontramos (entre placas, monitores, teclados e acessórios) podem ser reaproveitadas. Muitas vezes, uma única peça estraga e as pessoas jogam fora todo o gabinete do computador?, conta Alisson. ?Em dois meses, conseguimos montar seis computadores, que estão em perfeito funcionamento e servindo com eficiência ao aprendizado dos funcionários?.

As aulas de informática são ministradas por três instrutores. Os alunos são divididos em grupos que têm aulas todos os dias da semana, sempre em horário de almoço. ?Uma ou duas vezes por semana, os funcionários abrem mão de meia hora de seu horário de almoço para participar das aulas. Eles são bastante interessados e dedicados.?

O curso dura cerca de seis meses e é fornecido de forma totalmente gratuita. O interesse tem sido tão grande que já existe funcionários na fila de espera, aguardando a abertura de novas turmas. No ano que vem, também deve começar a ser oferecido curso de montagem e manutenção de computadores.

Funcionários

Os funcionários que freqüentam o curso dizem estar descobrindo um novo mundo através da informática. O selecionador de materiais Antônio Angelo Prates, de 47 anos, nunca havia nem chegado perto de um computador. Ele vê no curso a oportunidade de, no futuro, realizar o sonho de trabalhar na área do comércio. ?Saber lidar com computador é essencial para se trabalhar no comércio. Além do mais, hoje em dia quem não sabe informática é considerado analfabeto?, afirma.

Já a auxiliar de serviços gerais Delandir Chela, de 44 anos, resolveu participar do curso para poder ajudar a filha, que tem quatro anos de idade e está prestes a começar a aprender a mexer com computador na escola. ?Meus filhos mais velhos, que estão com 25, 24 e 22 anos, não tiveram informática no currículo escolar, mas minha caçula vai ter. Quero poder ajudá-la quando ela tiver alguma dúvida e não me mostrar tão leiga no assunto.?