A Fazenda Esperança, no município catarinense de Abelardo Luz, continua dominada por uma centena de sem terra, que invadiram a sede da propriedade na última segunda-feira. Cinco das seis pessoas que foram feitas reféns quando da ocupação permanecem no local. São quatro funcionários e uma criança de seis anos. Os sem terra cobram o imediato assentamento de 600 famílias no Estado de Santa Catarina. Ontem, eles pediram aos proprietários que retirem as 1,2 mil cabeças de gado que estão na fazenda.

Segundo Juliana Rocha Podolan Martins, nora do proprietário da fazenda, eles podem até retirar o gado, mas em hipótese alguma a situação servirá como pressão para que a fazenda seja vendida para fins de reforma agrária. “Santa Catarina não tem mais área improdutiva que sirva para reforma agrária”, afirmou.

A Fazenda Esperança fica na divisa com Clevelândia, no Paraná. Por isso, segundo Juliana, o governador Roberto Requião (PMDB) e o senador Álvaro Dias (PSDB) chegaram a telefonar para o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), pedindo que ele ache uma solução para o problema. Juliana contou que os sem terra estão na área há dez meses, mas antes se concentravam num canto da fazenda. “Essa semana que eles resolveram tomar a sede”, contou, reclamando que durante os dez meses que ficaram na propriedade eles roubaram e mataram o gado. “Na segunda-feira, antes da invasão, houve uma tocaia para um dos nossos funcionários, que estava numa caminhonete e levou vários tiros”, relatou.

Juliana cobra mais empenho da Secretaria de Segurança de Santa Catarina: “Temos o mandado de reintegração de posse desde janeiro e nada foi feito até agora”.