No lugar de barracos de lona estão
sendo construídas casas de madeira.

As pessoas que invadiram um terreno da Prefeitura de Curitiba, na Rua Pedro Corrêa da Cruz, no bairro São Braz, há quarenta dias, estão crentes de que não serão mais retirados do local. Prova disso é que a maioria delas está desmontando os barracos de lona e construindo casas de madeira e até de alvenaria.

A Prefeitura de Curitiba conseguiu junto à Justiça um mandado de reintegração de posse, que até agora não foi cumprido. Mesmo sem a garantia de que vão poder ficar, os invasores estão confiando que conseguirão continuar na área mediante a alguma forma de pagamento. A Prefeitura de Curitiba informou que a reintegração de posse ainda não foi feita, pois a Polícia Militar (PM) não disponibilizou os homens para realizar a operação.

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), a PM já recebeu o pedido de reintegração e está estudando um plano de ação para retirar as famílias do local. Ao mesmo tempo, a PM negocia com os invasores uma retirada pacífica.

O jardineiro Izael dos Santos é um dos que estão construindo. Ele mora junto com mais cinco pessoas da família e está empenhado em terminar o quanto antes sua casa. “Já gastamos quase R$ 500 em material de construção”, contou. Ele disse que antes da ocupação morava numa chácara onde trabalhava. “Por enquanto não tem nenhuma ordem para a gente ficar aqui. Mas nós não vamos sair. Nossa garantia é a nossa coragem, nossa vida”, afirmou, destacando que confia que uma solução positiva para o grupo deve acontecer.

Marcos dos Santos trabalha como recapador de pneus e ganha R$ 450 por mês. Pagava R$ 180 de aluguel e agora pretende morar na área no São Braz. “Comprei cerca de R$ 800 de material a prazo”, revelou, pedindo para que as autoridades façam com que as famílias possam ficar no local pagando um preço justo. “Ninguém se nega a pagar. Queremos apenas é pagar um valor compatível com nossa realidade”, clamou.