O Ipea confirmou a redução no número de mães adolescentes. Em 1992, para cada mil mulheres adolescentes (idade entre 15 e 19 anos), 91 tinham filhos nascidos vivos. Em 2009, a relação caiu para 63 adolescentes.

O ginecologista Arlindo Brum Júnior, em seu cotidiano, não confirma tais dados. Pelo acompanhado no Hospital e Maternidade Alto Maracanã, em Colombo, onde ele e seus alunos prestam atendimento, de 2008 para 2009, o percentual de adolescentes que tiveram filhos permaneceu estável.

Dos 3,5 mil partos realizados em 2009, 10% foram de adolescentes, percentual igual ao ano de 2008. “Percebemos que na periferia a adolescente grávida possui um estatus dentro do grupo e isso dificulta o trabalho preventivo”, lamenta o médico.

“Elas não conseguem ter uma visão do caráter permanente que envolve a maternidade e parte delas, pela insegurança normal da idade, também engravidam com o intuito de segurar o namorado”, acrescenta.

Contudo, o médico acredita que o aumento de renda das classes mais baixas, deve apresentar como uma das consequências positivas a queda no número de jovens com filhos.

“Quando a pessoa começa ascender socialmente, melhora sua formação e seus projetos de vida, ou seja, a garota que antes tinha a frente apenas o sonho de se unir ao namorado, vai pensar duas vezes em restringir as perspectivas dela”, observa Brum. “Em um sentido mais amplo, a melhora na renda, aumenta a segurança social e psicológica de pessoas de qualquer idade”, complementa.

Outro dado que chama a atenção é a elevação significativa de mães adolescentes que estavam em 2009 em condição de filhas e outros parentescos como netas. Um total de 51,5% das mães adolescentes, ou seja, 443,5 mil jovens viviam, no ano passado, nas casas de pais ou avós.

Por outro lado, aumentou o número de arranjos familiares chefiados por mães adolescentes, o que sinaliza uma influencia direta dos recursos governamentais, como o Bolsa Família, na renda. Em 2009, um total de 53,7 mil adolescentes (6,2%) eram mães e chefiavam famílias.