O Paraná registrou no primeiro semestre de 2020 uma diminuição nos acidentes de origem elétrica. Em comparação com o mesmo período do ano passado, considerando os acidentes fatais, houve uma redução de 64% nas ocorrências. Os dados fazem parte de um levantamento da Associação Brasileira de Conscientização para Perigos da Eletricidade (Abracopel), e retratam efeitos do isolamento social.

De acordo com a entidade, entre janeiro e junho de 2020, foram registrados 39 casos de acidentes de causa relacionada à eletricidade, incluindo choques, raios e incêndios. Nessas ocorrências, foram nove mortes. No primeiro semestre de 2019, haviam sido 66 acidentes, com 19 vítimas fatais.

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Quando analisados apenas os casos de choques elétricos, a redução chega a 70%: caindo de 19, ano passado, para seis, em 2020.

Para o engenheiro eletricista Fábio Amaral, sócio-diretor da Engerey – empresa especializada em painéis elétricos -, o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus acabou sendo um fator que contribui para a diminuição dessas ocorrências. Ocorre que, embora o uso de aparelhos ligados na eletricidade tenha aumentado, por estarem mais tempo em casa, as pessoas puderam se atentar para falhas e providenciar correção.

“É verdade que, com o isolamento social, as pessoas passaram a usar mais produtos que exigem energia elétrica, como eletroeletrônicos, eletrodomésticos, ou carregando celulares. Por outro lado, se acontece algo com as instalações, as pessoas passaram a ter condições de perceber imediatamente, e também corrigir antes que o problema se torne foco de sobretensão”, explica Fábio Amaral.

Cuidados

Isso não significa, acrescenta o especialista, que os riscos devam ser minimizados. Todas as recomendações básicas para o uso de aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos precisam ser rigorosamente cumpridas, adverte.

Manter o uso longe de áreas úmidas; e não operar celular enquanto estiver carregando são algumas das orientações. “O contato da eletricidade com a água é sempre muito perigoso. Sobre carregamento de celular, pode haver superaquecimento da bateria e explosão, como aliás, não raro vemos sendo noticiado pela imprensa.”

Identificando algum problema, o reparo tem de ser solicitado a um técnico ou profissional. Nada de improvisações ou tentar replicar soluções “vistas na internet”, frisa Fábio Amaral. “Mesmo a pessoa estando em casa, a recomendação é sempre recorrer a um profissional, a alguém que trabalhe com eletricidade, que entenda, preparado nessa área”, assinala.

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A utilização do dispositivo Diferencial Residual (DR) nos quadros elétricos também é indicada pelo especialista, pois protege contra choques elétricos. Contudo, apesar de ser de uso obrigatório desde 1997 (NBR 5410), sua exigência não é seguida na maioria das residências.

“Com o DR os acidentes com eletricidade são evitáveis. O dispositivo reconhece que por determinada fiação está vazando um percentual de corrente elétrica diferente do habitual, como no caso de uma criança colocando uma chave na tomada. Assim, o DR desarma os circuitos que estão ligados a ele interrompendo o choque elétrico”, explica Amaral.