Curitiba acompanha as tristes estatísticas mundiais de mortes violentas no trânsito. O documento ?Juventude e Segurança Viária?, da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta os acidentes de trânsito como principal causa da morte de pessoas entre 10 e 24 anos. São cerca de 400 mil mortes por ano nessa faixa etária, envolvendo desde motoristas e passageiros até ciclistas e pedestres. Na capital paranaense, a maior parte das vítimas fatais no trânsito está na faixa entre 18 e 29 anos de idade.

Segundo a OMS, no Brasil 35 mil pessoas morreram em 2005 vítimas de acidentes de trânsito. Desse total, 81,5% eram do sexo masculino e 18,5% do sexo feminino. Metade das vítimas fatais era formada por jovens.

Em Curitiba, os dados do Batalhão de Trânsito (BPTran) apontam um quadro semelhante. Na faixa entre 10 e 12 anos, entre janeiro e abril foram registradas 29 vítimas de acidentes de trânsito do sexo masculino e 21 do feminino. Entre os 13 e 17 anos, foram 80 vítimas do sexo masculino contra 68 do feminino. Já entre os 18 e 29 anos, a proporção aumenta em mais de dez vezes: 872 homens envolvidos em acidentes de trânsito e 339 mulheres.

Destes, nove foram vítimas fatais, mas é preciso lembrar que a polícia conta apenas aqueles que falecem no local. ?E, infelizmente, o que temos percebido é que o número de corpos que dão entrada no Instituto Médico Legal (IML) aos fins de semana é cada vez mais formado por vítimas de acidentes de trânsito, tomando o segundo lugar entre as mortes violentas e se aproximando cada vez mais dos homicídios?, analisa o sargento Ronivaldo Brites Pires.

O álcool, somado à sensação de poder fornecida pelo controle do automóvel e pela velocidade, quase sempre está presente nos registros da polícia. Na maior parte dos acidentes que vitimam os jovens, quem não está no volante é que acaba sofrendo as conseqüências. ?É comum ocorrências serem registradas entre grupos de jovens que saem nos finais de semana e acabam entrando no carro de alguém embriagado para voltar para casa, seja pela pressão exercida pelos amigos como pela necessidade do transporte?, explica o policial.

A forma de amenizar estes números, aposta Pires, está na educação. ?Aprender sobre trânsito hoje é tão importante quanto saber matemática e português. Temos projeto de palestras nas escolas e empresas para mostrar às crianças e jovens as conseqüências dos acidentes. Essa conscientização é importante porque, apesar de a cidade ter passado por transformações de engenharia para melhorar o trânsito, o principal responsável pelos acidentes ainda é o motorista.?