Os três principais clubes de eventos da cidade da Lapa – Congresso, Sete de Setembro e Grêmio de Subtenentes e Sargentos – estão com suas portas fechadas. Eles foram interditados no último dia 15 por determinação judicial. A juíza de Direito da Lapa, Carmen Lúcia de Azevedo e Mello, responsável pela interdição, comenta que a medida foi tomada com base em algumas irregularidades identificadas dentro dos locais.

Segundo a juíza, os clubes vão ficar fechados até que se adaptem às normas de segurança. “Recebemos reclamações da própria população e percebemos que os clubes não tinham isolamento acústico adequado”, explica Carmen. “Outro problema, verificado pelo Corpo de Bombeiros de Araucária, diz respeito a questões de segurança, como portas de emergência e extintores de incêndio.” Caso haja desobediência, os clubes receberão multa de R$ 10 mil por evento realizado. O valor seria revertido ao Fundo Estadual de Meio Ambiente.

População

Apesar das alegações da juíza, grande parte da população da Lapa está revoltada com a interdição. A funcionária pública Marciana Delponte Scardanzan, por exemplo, acha que a medida eliminou uma das únicas opções de lazer da cidade, que é freqüentar eventos promovidos por clubes. “A Lapa é uma cidade pequena e não há muito o que fazer nos finais de semana. Com o fechamento dos clubes, ficamos sem opção alguma de lazer”, comenta.

A comerciante Beatriz Afonso do Valle era freqüentadora assídua de bailes promovidos pelo clube Congresso nas noites de domingo. Ela afirma estar bastante chateada com o encerramento da atividade. “O fechamento dos clubes é um abuso de poder e um desrespeito à toda sociedade lapiana. Os bailes eram muito alegres, freqüentados por famílias de respeito e nunca havia confusões”, diz. “Agora, os jovens vão acabar tendo que procurar diversão nas ruas e vai aumentar a incidência de depressão entre os idosos.”

Clubes

Os responsáveis pelos clubes se defendem e não consideram a interdição necessária. “A juíza deveria nos dar um tempo para que nos adaptássemos às exigências, mas sem fechar os estabelecimento”, afirma o presidente do Sete de Setembro, Mansur de Jesus Daou. “Não entendo por que só os três clubes foram interditados. Existem dentro da cidade da Lapa outros clubes menores que não possuem equipamento algum de segurança, mas que continuam funcionando normalmente.”

No Sete, foi verificada a necessidade de instalação de um hidrante de incêndio. Embora a colocação do equipamento seja considerada cara -cerca de R$ 50 mil – já está sendo providenciada pelo clube. “Vamos colocar o hidrante, mas isso é demorado. Precisamos de um prazo até outubro para que tudo seja regularizado”, declara Mansur.

No clube Congresso foi determinada, entre outras coisas, a construção de uma porta de emergência na parte da frente do estabelecimento. Porém, o promotor de eventos do local, que não quis se identificar, diz que a colocação da porta vai contra o patrimônio histórico. “O local onde se encontra o clube é tombado. Não podemos mexer na construção”, esclarece. “Entretanto, vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para nos adequar às normas, embora tenhamos uma ampla porta de emergência lateral e sigamos outras regras de segurança e acústica.”

O Estado não conseguiu contato com os responsáveis pelo clube Grêmio de Subtenentes, que é pertencente ao Exército.