O júri popular do biólogo e professor Luís Felipe Manvailer, acusado de matar a esposa, a advogada Tatiane Spitzner, em julho de 2018, chegou a começar, na manhã desta quarta-feira (10), no Fórum de Guarapuava, na região centro-sul do Paraná. Porém, pouco depois, o mesmo foi cancelado após o pedido de utilização de vídeos da portaria do prédio onde ocorreu a morte da advogada não ser autorizado. A defesa de Luis Felipe Manvailer recusou a permanecer no Tribunal do Juri e recebeu multa de 6 salários mínimos. Detido há dois anos e seis meses na Penitenciária Industrial de Guarapuava, Manvailer irá responder por homicídio qualificado – com as qualificadoras de feminicídio, motivo fútil e morte mediante asfixia. Além disso, é acusado por fraude processual.

O julgamento

Antes do início do julgamento, foi realizado sorteio para definir o júri. Foram definidas sete pessoas, sendo seis homens e uma mulher. Às 10h50, começou o primeiro depoimento de uma testemunha por videoconferência. Devido a pandemia do novo coronavírus, o julgamento está sendo restrito para as partes envolvidas no processo e imprensa. Do lado de fora do fórum, familiares e amigos de Tatiane realizavam um protesto pedindo a condenação do réu.

O júri popular do caso foi adiado duas vezes. Inicialmente marcado para o começo de dezembro de 2020, a defesa de Manvailer informou que não poderia estar presente devido a um advogado apresentar o diagnóstico positivo para a covid-19. Na outra data marcada ( 25 de janeiro), o julgamento não ocorreu devido a uma novo pedido da defesa do réu por incompatibilidade de data.

Defesa e acusação

Em entrevistas para a RPC, a defesa de Luis Felipe Manvailer reforçou que a queda de Tatiane do 4º andar foi uma fatalidade e que o cliente errou ao agredir a advogada. “Infelizmente a Tatiane sofreu um acidente. Ela caiu, foi uma fatalidade. Nós lamentamos por tudo isso e sabemos que o Luis errou quando a agrediu e por essa agressão ele já está sendo punido”, disse o advogado Cláudio Dalledone Junior.

Já o assistente de acusação, Gustavo Scandelari, afirmou que as provas serão novamente mostradas como os depoimentos dos vizinhos que escutaram gritos de Tatiane mesmo antes da queda. “As provas já foram produzias em primeiro momento e serão as mesmas apresentadas ao júri, especialmente o depoimento dos vizinhos que disseram que ouviram os gritos e disseram que os gritos terminaram e aí, três ou quatro minutos depois, eles ouviram o corpo de Tatiane caindo no chão”, relatou Scandelari.

Relembre o caso

Luis Felipe Manvailer é acusado de ter jogado Tatiane do quarto andar do prédio onde moravam. Os laudos do IML indicaram que a advogada foi morta por asfixia mecânica (esganadura), o que contrariou a versão de Luis Felipe, que disse à Justiça que sua mulher havia se atirado logo após uma discussão do casal.

Na sequência, Luis Felipe aparece em câmera de vídeo recolhendo o corpo da esposa, já morta, colocando-o no elevador e deixando no apartamento. Depois pegou o carro dela e seguia em direção ao Paraguai, até que sofreu um acidente em São Miguel do Iguaçu – a 340 quilômetros de Guarapuava – e foi detido.