O juiz federal substituto da 2.ª Vara da Justiça Federal de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, Adérito Martins Nogueira Júnior, determinou “com urgência” o bloqueio dos recursos arrecadados pela entidade fantasma que se proclama como Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro). O sindicato clandestino tentava aplicar golpe enviando boletos de cobrança bancária a agricultores do Paraná e da Bahia, com fortes indícios de que a prática se espalhava por todo o País.

O bloqueio dos recursos da conta do Sinapro no Banco do Brasil foi pedido pelo Ministério Público Federal por que, no dia 21/07, vencia o prazo para pagamento da “anuidade” que terminaria na conta de estelionatários.

O procurador da República Pedro Antônio Roso argumentou que havia “sério risco de que, não sendo sequestrados os recursos aportados na Agência 3340-5/5033-4, conta n.º 26530400000022178, sob os cuidados de Costa Empreendimentos Ltda. (empresa responsável pela cobrança), estes sejam rapidamente desviados pelo Sinapro, lesando o direito de milhares de produtores rurais em todo o território nacional”.

O presidente do Sinapro, Narciso Rocha Clara, é o mesmo que há uma semana desistiu de fazer um protesto no Paraná, após ser advertido pelo governo do Estado que seria preso ao desembarcar no Aeroporto Afonso Pena.

Narciso Rocha Clara e o Sinapro foram denunciados ao Ministério Público Federal pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que, com os Sindicatos Rurais e as Federações da Agricultura Estaduais, são as representantes legais dos produtores rurais brasileiros.

Diretor da Araupel admite venda

A intenção da Araupel, divulgada em nota oficial na segunda-feira, de não negociar suas terras em Quedas do Iguaçu, não é irreversível. Ao menos essa é a posição do diretor administrativo financeiro da empresa, Luiz Roberto Ceron. Ele confirmou ontem que a posição da empresa continua sendo a da nota. Mas deixou transparecer que uma boa proposta financeira pode seduzir a empresa e mudar a situação.

Para Ceron houve precipitação da ouvidora agrária nacional substituta, Maria de Oliveira, em firmar acordo com os sem-terra que ocupam a área sem conversar antes com a empresa. Mesmo assim, o diretor da Araupel contou que as negociações com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) devem continuar no próximo fim de semana. “A intenção da Araupel não é vender a fazenda. Mas se isso atender interesses de todo contexto, ou seja, da empresa e da sociedade de Quedas do Iguaçu, pode acontecer”, revelou. Conforme Ceron, o preço médio do hectare da fazenda da empresa é R$ 8 mil. Uma proposta com valores acima disso poderia sensibilizar os proprietários a se desfazerem do imóvel. A área toda tem 53 mil hectares, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reivindica cerca de 40 mil hectares.

Safra

Enquanto a negociação para compra das terras não evolui, as cerca de 3 mil famílias que ocupam a Fazenda Araupel já se preparam para a próxima safra. Os trabalhadores permanecem na mesma área invadida. A intenção deles é sair assim que lonas e alimentos, prometidos pela ouvidora agrária, cheguem ao acampamento. “Assim que as lonas chegarem vamos mudar o local do acampamento é começar preparar para o plantio da safra”, afirmou o líder do grupo, Adélson Schwalemberg . Ele explicou que o plantado será para sobrevivência dos sem-terra. “Vamos plantar, arroz, feijão, molho etc. Enfim, agricultura para subsistência”, contou.

Schwalemberg disse que a nota da Araupel, negando a intenção de venda, é a maneira que empresa encontrou para valorizar sua terras. “Já negociamos com o Incra e vamos ficar com as terras. Já existe um acampamento que está aqui há quatro anos. Para nós não fará diferença ficar aqui mais quatro anos”, falou. (Lawrence Manoel)