Descobrir se a vacina contra a gripe A (H1N1) utilizada na América do Norte será eficaz no Brasil, ter certeza se o Tamiflu (principal medicamento usado contra a doença até agora) será efetivo daqui para a frente e, ainda, verificar se o vírus que circula no Paraná é semelhante ou diferente daqueles que estão em outros estados ou países.

Essas são as principais questões a serem respondidas por um sequenciamento genético do vírus Influenza A H1N1 que está sendo realizado pelo Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen-PR).

Com o sequenciamento de um dos oito segmentos genéticos do vírus (que foi concluído esta semana) já é possível tirar uma conclusão: o vírus “paranaense” parece ser igual aos dos outros estados e países.

O diretor do Lacen-PR, Marcelo Pilonetto, afirma que agora será preciso fazer o sequenciamento dos outros sete segmentos genéticos para ter certeza de que o vírus que circula no Paraná é exatamente igual ao de outras localidades (um programa de computador realiza essa comparação).

Segundo Pilonetto, a pesquisa tem ainda outra função importante, que é tentar encontrar meios de evitar que o vírus entre na célula humana. “Esse sequenciamento tem como objetivo produzir proteínas virais do vírus. As proteínas fazem as funções biológicas do vírus, que são necessárias para eles entrarem nas células, e também para a sua reprodução”, explica.

No entanto, a pesquisa não é fácil de ser feita. Pilonetto explica que cada tentativa de sequenciamento leva até duas semanas, e muitas vezes pode não dar certo. “Agora vamos aguardar os outros segmentos para tirarmos as conclusões finais”, comenta.

Outra conclusão importante que a pesquisa poderá tirar será em relação à imunidade: será possível verificar se a pessoa que já teve a gripe suína poderá ficar imune a outro vírus diferente.

Por conta das tentativas que podem ser frustradas, Pilonetto não sabe quando o sequenciamento total será finalizado, mas ele acredita que a pesquisa deve terminar no ano que vem.

O secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin, acredita que a pesquisa será muito importante na medida em que auxiliará no combate à doença. “Os resultados do sequenciamento do vírus nos indicarão os próximos passos que deveremos tomar para o enfrentamento de uma possível segunda onda da doença. Poderemos nos programar em termos de vigilância, baseados em resultados reais, que permitirão ações mais eficazes”, ressalta Martin.