“Indecisos” rejeitam rótulo de largados
e pedem volta das fitas amarelas.

Quem passou sozinho o Dia dos Namorados deste ano, e mesmo comendo o bolo de Santo Antônio continuou sem companhia, uma festa em um bar de Curitiba foi mais uma chance de tentar encontrar a cara-metade.

Pela oitava vez consecutiva a Festa dos Largados reuniu quem não pretendia ficar sozinho em 12 de junho de 2003. Ao entrar no bar as pessoas solteiras ganham uma fita verde para que possam se identificar com outras na mesma situação. Se mesmo assim a aproximação não acontecer, o próprio Santo Antônio dá uma força.
“A idéia da festa surgiu para tentar unir pessoas que estavam sozinhas no Dia dos Namorados, mas teve a data mudada para dia 13 de junho por ser o dia do santo casamenteiro”, conta o dono do bar, Jonny Basso. Ele garante que a promoção já virou tradição, e reúne, além dos “largados”, os comprometidos – que ganham fitas vermelhas – e os solteirões convictos. A festa foi uma forma descontraída de aproximar as pessoas, que no início, releva Jonny, ficavam constrangidas de usar as fitas, mas hoje 90% assume a condição. “As pessoas não tem mais vergonha de estarem largados”, brinca.
Mas mesmo aderindo à brincadeira, quase ninguém assume que foi na festa para tentar encontrar um(a) namorado(a), apesar de todos afirmarem que as fitas facilitam identificar quem está ou não solteiro. A psicóloga Eloísa Camargo foi pela primeira vez na festa, e revela que achou a idéia interessante, mas frisa que não estava lá com a intenção de achar namorado. Eloísa deixou a casa acompanhada! Para a advogada Viviane Machado, a idéia das fitas é original e ajuda a descontrair na hora da paquera. A mesma opinião tem a psicóloga Joyce Pescarolo que confessa que já encontrou alguém em outras edições da promoção. “As fitas dão mais liberdade para abordar alguém”, garante.
A veterinária Francine Sunyé preferiu colocar a fita verde na calça, pois achou que era uma maneira mais discreta de mostrar a sua condição. Já o seu amigo, o empresário Gílson Scheibe não teve nenhuma objeção de pendurar o adereço bem visível na camisa. Ele revela a sua estratégia de paquera: “A gente primeiro olha no rosto da menina, depois vê a cor da fita e vai conversar”. Mas para o representante Edilberto Born só a fita verde não foi suficiente: ele veio com camisa verde. “Assim fica mais fácil ainda de me encontrarem”, brinca.
Para o grupo de amigos Cristiane, Sissi, Melina, Fábio e Maristela a idéia da festa é original, mas exigiram que na próxima edição volte a opção das fitas amarelas, para aqueles que ainda estão indecisos quanto ao relacionamento. Eles garantem que a condição de “largado” não pode ser igualado ao “jogado ou abandonado”. “Estamos desacompanhados por opção”, explicam. No grupo, a maioria estava confiante de deixar a casa com namorado (a).
Opinião de santo
O ator Heleno Jesus, que fez o papel de Santo Antônio na festa, diz que as lamentações de quem queria encontrar um namorado eram sempre as mesmas, “ninguém chega para conversar com ninguém”. Ele comenta que todos acolheram a fantasia e queriam que ele acendesse a vela pedindo pelo companheiro ideal. O conselho do Santo para esses casos era: “tenha fé, relaxe e coragem”, mas se mesmo assim não der certo, ele completa, “uma boa reza até o diabo recomenda”.