O futuro da região de Floresta e de outras áreas do litoral do estado está condicionado ao mapeamento das áreas de risco. O trabalho foi encomendado pela Mineropar a uma empresa especializada nesse tipo de levantamento, cujo nome não foi divulgado. O objetivo é obter um parecer definitivo sobre as áreas que precisarão ser desocupadas. “O mapeamento deve ficar pronto em 90 dias e está sendo financiado com o próprio caixa da entidade”, esclarece o diretor técnico e geólogo, Rogério da Silva Felipe.

Serão consumidos cerca de R$ 300 mil. Para o diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, a atenção dispensada pelo governo estadual no tema representa um avanço. “Ao invés de ficar omisso e deixar que novos episódios ocorram, o governo está aprofundando na viabilidade da ocupação humana em partes do nosso litoral, o que é extremamente corajoso, já que vai deixar em evidência a capacidade do Estado em realocar pessoas”, elogia Borges. “Nosso litoral é sabidamente frágil e as atividades do porto somadas a presença humana na Serra do Mar só agravaram isso”, comenta.

Para Borges é justamente na exploração econômica dos portos de Paranaguá e Antonina que o governo deveria se amparar para viabilizar recursos para as demandas do litoral. “Os portos e as empresas que usufruem dessa localização estratégica deveriam contribui com um fundo em prol da Serra do Mar. Seria uma contrapartida justa pelo impacto ambiental gerado”, analisa.

Por hora, além do governo federal e do caixa próprio das entidades estaduais envolvidas, as madeiras dos troncos e galhos acumulados nos leitos dos rios Jacareí e Tingidor (de Morretes) e Miranda (em Antonina) serão responsáveis por parte dos recursos que viabilizarão o projeto de reconstrução das áreas degradadas em março deste ano. “O governo precisaria desembolsar aproximadamente R$ 2,5 milhões para desassorear os leitos, mas um acordo com a Construtec de Paranaguá vai garantir a execução desse trabalho sem onerar o Estado”, explica o superintendente do Programa de Voluntariado Paranaense (Provopar), Luiz Carlos Melo dos Reis.

Na negociação, ficou combinado que a Construtec poderá comercializar a madeira retirada da região, cujo volume estimado é de 40 mil metros estéreis (madeira oca), o equivalente a 24 mil metros cúbicos de madeira maciça. Da renda obtida, a empresa deverá repassar ao Provopar, responsável pelo gerenciamento, R$ 28 por metro cúbico retirado. “O montante arrecadado será revertido integralmente para os habitantes dos locais onde foi retirada a madeira”, garante Reis.

Segundo eles, no acordo com a Construtec, junto a exigência de usar mão-de-obra das comunidades atingidas (cerca de 40 funcionários) foi determinado um prazo de 30 dias para a retirada do material lenhoso dos leitos do rio. “O trabalho precisa ser intensificado, para que a situação não venha se agravar nas chuvas de verão”.

Fiscalização

Reis explica que todo o trabalho está sendo acompanhado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto das Águas. A necessidade de adequar os trabalhos às normativas ambientais que retardou as ações. “Para se ter uma ideia da complexidade do trabalho, não é permitido colocar máquinas com mais de 10 toneladas de peso no chão de Floresta para não danificar o ecossistema da região”, explica. Com relação às rochas e a areia, nada pode retirado.

Outra restrição envolve a porção mais alta de Floresta, no Parque Nacional de Saint Hilaire/Lange. A área é uma unidade de conservação federal gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “Todas as árvores derrubadas lá, não podem ser mexidas”, conta Reis.

Segundo o IAP, os troncos e galhos que estão acumulados nas propriedades podem ser utilizados pelos donos das terras. Entretanto nada pode ser vendido, para evitar que árvores em pé sejam derrubadas.