Foi divulgado ontem o laudo sobre a causa da mortandade de bagres no litoral do Estado que vinha ocorrendo há cerca de três semanas. A análise da água feita pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) apontou que a qualidade estava dentro dos padrões normais. Já o estudo feito pelo Hospital Veterinário da Pontifícia Universidade Católica do Paraná com amostras de peixes indicou alterações na sedimentação no fundo do mar, da qual a espécie se alimenta. Os exames apontaram como causa da morte anorexia e falta de oxigênio na água. Segundo o presidente do IAP, Rasca Rodrigues, nos últimos dias não há notícias sobre a morte de mais peixes.

O órgão, o Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná e o Grupo Integrado de Aqüicultura vão realizar monitoramento de rios e baías.

Rasca explica que o laudo elaborado pelo laboratório do IAP apontou que as emissões de substâncias ao mar estão dentro dos padrões normais. Não foi detectado nenhuma que pudesse indicar algum responsável pelas mortes. Rasca comenta ainda que é difícil descobrir as causas do problema quando ocorre no mar porque a substância se dilui na água e os peixes se espalham devido às correntes marinhas. Foram encontrados peixes mortos desde a Baia de Paranaguá até Antonina e alguns próximos a Guaraqueçaba.

Já o laudo da hospital veterinário da PUC, que também é de responsabilidade do IAP, apontou que todos os nove peixes analisados mostravam atrofia muscular evidente, o corpo estava recoberto por muco e ausência de conteúdo gastro-intestinal, indicando pouca ingestão de alimento e conseqüente anorexia. Também observou-se inflamação em músculo esquelético, necrose de fibra muscular, além de erosão em pele, indicando diminuição da imunidade e deficiência nutricional. Todos os bagres também apresentaram comprometimento das guelras, indicando a baixa quantidade de oxigênio. Sabe-se que as patologias foram provocadas devido a alterações na sedimentação que serve de alimento para a espécie. Mas as causas do problema não puderam ser apuradas, já que não há hipóteses do que pode ter acontecido e também porque as mortes cessaram.

Segundo Rasca, o problema não afetou outras espécies que também vivem no fundo do mar, como o camarão. Por enquanto, a pesca continua normal e o IAP e outros órgãos vão continuar monitorando os rios e baías.