Será que as tais “palmadas” em crianças podem ser benéficas? Para os especialistas, não. Segundo eles, existem outras maneiras (mais eficazes, inclusive) de punir ou chamar a atenção quando elas fazem algo errado. Esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma mensagem ao Congresso apresentando um Projeto de Lei (PL) que visa abolir a prática de castigos corporais em crianças. O PL prevê advertência, orientação psicológica e encaminhamento do infrator à programas de proteção à família.

O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente já condena estes maus-tratos. Porém, com o PL, o governo pretende definir o que é “castigo corporal” e diferenciá-lo de castigo “moral”. A ideia é apenas um projeto por enquanto, mas já se discute se a punição ao agressor seria a melhor solução. Ou mesmo se “tapinhas” podem ser benéficos em determinadas situações.

Para a psicóloga Mariana Chalfon, de São Paulo, criar novas formas de punição não é a melhor saída. “Me parece que criar mecanismos que promovam a consciência dos pais seriam mais viáveis nesse momento. Até porque uma lei não garante nada. Como esses agressores serão punidos? Será que temos locais para tratar as crianças e os pais?”,indagou.

Mariana observa, ainda, que brasileiros (e latinos em geral) têm a cultura das “palmadas”, o que seria mais um fator a se levar em conta. “Claro que toda lei que visa reduzir a violência é bem-vinda. Mas diante do fato cultural, acredito que seria melhor investir em educação, orientação. E não punir quem puniu”, disse.

A psicóloga escolar Irse Ferreira, de Curitiba, acredita que o PL é positivo. Porém, ela orienta que as agressões psicológicas, na maior parte das vezes, são mais graves do que as físicas. Para ela, nenhum dos dois tipos de castigos pode ser aceitável. “Castigos não educam”, afirma. Ela trabalha há 15 anos em escolas, e garante: violência gera violência. “Percebo que as crianças que são agredidas em casa trazem a agressividade para a escola”, conta.

Para Irse, muitas vezes os pais não sabem lidar com a situação.

A pedagoga Veridiana Naide, que tem uma filha de três anos (e que é bastante teimosa, diz ela), garante que só o diálogo com a menina já resolve. “Eu converso muito, muito mesmo com ela. E acredito que as crianças entendem tudo, desde que nascem. “É preciso ser firme sempre, mas somente conversando”, disse.