Entre as 5 mil ligações que o Corpo de Bombeiros de Curitiba e Região Metropolitana recebe, em média, diariamente, 90% não relatam uma ocorrência real. Na Polícia Militar, 85% das chamadas atendidas são falsas. Porém, o cerco aos trotes telefônicos nos serviços de emergência está se fechando. O governador Beto Richa sancionou no mês passado uma lei que estabelece multa de R$ 135,78 para quem pratica esta brincadeira sem graça.

Os responsáveis pelas duas corporações são unânimes em afirmar que, mais do que atrapalhar o trabalho dos atendentes, os trotes comprometem seriamente o atendimento à população que realmente precisa dos serviços de emergência. Enquanto viaturas se deslocam para procurar uma ocorrência que não existe, os casos reais demoram mais tempo até serem atendidos.

“Dependendo da gravidade do caso é muito tempo perdido. Mesmo demandando combustível e esforços, ou até mais de uma viatura, os gastos materiais ficam para segundo plano quando a vida de alguém está em risco”, avalia o chefe do Centro de Operações Policiais Militares (Copom), major Rui Barroso Torres. O atraso pode chegar a até meia hora, tempo considerável para quem aguarda por socorro.

Os serviços recebem ainda ligações em que, assim que o atendente se identifica, a pessoa do outro lado da linha desliga o telefone ou daqueles que querem apenas bater papo. “Muitas pessoas ligam para falar qualquer coisa, menos das ocorrências. Elas não se preocupam que nos casos de emergência, minutos e segundos são de suma importância para a sobrevivência”, ressalta o chefe de atendimento da Central de Operações Bombeiro Militares (Cobom), major Jaime Antônio de Souza.

Além dos trotes, outras ligações que constantemente são feitas aos serviços de emergência são os pedidos de informação sobre os mais variados assuntos. Desde horários de voo até informações sobre onde se localiza a delegacia mais próxima. “Não vamos deixar de atender, mas existem serviços específicos para estes casos”, diz o major Barroso, que solicita à população que ligue para o atendimento de emergência somente em situações reais.

Não deixe qualquer um usar seu telefone!

Pela nova lei, a multa pelo trote deverá ser paga pelo responsável pela linha de onde foram feitos os chamados indevidos e o valor arrecadado será destinado ao Fundo Especial de Segurança Pública do Paraná (Funesp). Serão punidos aqueles que solicitarem atendimento para remoções médicas, resgates, combates, incêndios, ocorrências policiais ou desastres falsos.

O trabalho de repreensão terá o apoio das operadoras de telefonia, que deverão passar os dados dos infratores. Depois de multado, o responsável pela linha terá 30 dias para recorrer. Os trotes de telefones públicos também serão monitorados e investigados.