O número de mortes no trânsito em Curitiba diminuiu 37% desde janeiro, quando a Lei Seca se tornou mais rígida, reduzindo a margem de tolerância para consumo de álcool por motoristas. Entre janeiro e agosto, aconteceram 130 mortes no trânsito da capital paranaense, contra 207 mortes no mesmo período do ano passado. Os números consideram, além das mortes no local dos acidentes, também as registradas até 30 dias depois.

Segundo dados do BPTran, também houve aumento de 58% no número de prisões por embriaguez nas operações de trânsito – 765 casos desde janeiro, contra 483 casos em todo o ano de 2012.

Os números são atribuídos a uma soma de fatores que inclui o aumento da prudência dos motoristas, motivado pelo temor de infringir a lei, e as ações adotadas para garantir o cumprimento da Lei Seca. Em Curitiba, a Secretaria Municipal de Trânsito, em parceria com o Instituto Paz no Trânsito e o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), realiza desde junho a campanha Lei Seca – Vai Pegar, que promove ações educativas em bares e blitze diárias de alcoolemia na cidade.

“Os resultados até agora são muito positivos. A intenção é reforçar o trabalho, promovendo mudanças no comportamento dos motoristas, em prol do coletivo, e diminuindo cada vez mais o número de fatalidades no trânsito em Curitiba”, disse nesta sexta-feira (20) o diretor de Educação da Setran, Cassiano Novo, durante o seminário Lei Seca – Impactos e Implicações, organizado pela Setran como parte da programação da Semana Nacional do Trânsito.

“Foram 77 mortes a menos no trânsito da cidade. A nova Lei Seca levou a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), as secretarias municipais de trânsito e outros órgãos fiscalizadores a adotar uma fiscalização mais eficiente e objetiva. A repercussão social da lei é positiva. As pessoas sabem agora que há mais blitze, dirigem com mais cuidado e procuram não mais dirigir alcoolizadas”, destacou Armando Braga, especialista em trânsito e ex-delegado titular Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), que também participou do seminário.

Segundo dados apresentados no seminário pelo comandante do BPTran, tenente-coronel Valterlei Mattos, houve um aumento de quase 300% na utilização do etilômetro nas blitze de Curitiba após a nova Lei Seca.

O palestrante Jerry Adriane Dias Rodrigues, da Polícia Rodoviária Federal no Rio Grande do Sul, e integrante do Conselho Nacional de Trânsito, apresentou números nacionais sobre as blitze da Lei Seca. Foram 1.048.758 de testes etílicos entre janeiro e agosto de 2013 (15% do total foi realizado no Paraná), contra 648.405 em todo o ano de 2012; e 8.288 prisões por embriaguez realizadas entre janeiro e agosto de 2013, contra 8.701 em todo o ano de 2012. “Muitas pessoas ainda querem beber e depois dirigir. E muitos ainda não assumem seus erros no trânsito, querem transferir suas responsabilidades. Mudar esse pensamento é um desafio que temos que assumir para evitar mais mortes no trânsito brasileiro”, afirmou.

Para Christiane Yared, do Instituto Paz no Trânsito, é preciso também estar alerta aos exemplos que os pais passam para os filhos com suas condutas no trânsito. “Os exemplos errados acabam se perpetuando. Quando fazemos orientações sobre bebida e direção para jovens, muitos dizem: ‘Meu pai sempre bebeu antes de dirigir e nunca aconteceu nada’. Isso é muito preocupante, pois temos uma frota enorme de carros e muitos acidentes com mortes, que levam à desestruturação familiar. Temos que investir em educação, fiscalização e punição”, destacou.

O seminário, realizado no auditóri,o do Sesc Senat, no Boqueirão, também contou com a presença do promotor do Ministério Público Cássio Honorato, que apresentou a evolução da legislação da Lei de Seca em busca de um trânsito mais seguro.