Foto: Arquivo/O Estado

Hélcio Bertolozzi Soares.

Letra de médico já virou sinônimo de garrancho. A comparação se deve ao fato de grande parte das receitas emitidas por profissionais da Medicina serem ilegíveis tanto para farmacêuticos quanto para pacientes. O problema costuma ser tão comum que a caligrafia dos médicos consta como uma das principais reclamações relativas a receituário feitas ao Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR).

"A má caligrafia dos médicos já se tornou um problema crônico. Geralmente, ela tem como causa o acúmulo de serviço enfrentado pelos profissionais, mas acredito que isso não seja justificativa. Muitas vezes, as receitas são constituídas de verdadeiros garranchos, em total desrespeito aos cidadãos e a outros profissionais que as manuseiam", comenta o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, Dennis Armando Bertolini.

Ciente do problema, o presidente do CRM-PR, Hélcio Bertolozzi Soares, afirma que uma caligrafia pouco clara pode gerar riscos à saúde e mesmo à vida dos pacientes. Quando o que foi escrito na receita não é facilmente legível, os pacientes podem tomar doses incorretas dos remédios que lhes foram prescritos ou mesmo tomar medicamentos errados, caso haja desentendimento por parte dos farmacêuticos. "Existem medicamentos com nomes bastante semelhantes. Se a letra do médico não for clara, os produtos podem ser facilmente confundidos e os usuários dos mesmos ter o estado de saúde piorado", declara Hélcio. "Orientamos os farmacêuticos a nunca fornecerem ou manipularem medicamentos quando tiverem dúvidas sobre o que está escrito".

Junto aos médicos, o CRM-PR tem realizado trabalhos de conscientização. Em visitas feitas a profissionais que atuam no interior do Estado, representantes da entidade têm alertado sobre a importância da emissão de receitas nas quais nomes de medicamentos, doses, substâncias e formas de utilização se apresentem de forma nítida. "Para emitir receitas, os médicos podem tanto escrever de forma manual quanto utilizar computador e máquina de escrever", finaliza o presidente do CRM-PR.